As mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial divulgado nesta segunda-feira (27/4). O dado revela um leve aumento da desigualdade, de 0,06 ponto percentual, em comparação ao primeiro ano de vigência da Lei de Igualdade Salarial. De acordo com os Ministérios do Trabalho e das Mulheres, o salário médio geral no país ficou em R$ 4.594,89, enquanto a mediana contratual registrou R$ 2.295,36.
Apesar da diferença na remuneração, o número de mulheres empregadas saltou 11%, atingindo a marca de 8 milhões de trabalhadoras no setor formal. Consequentemente, a proporção de empresas que declaram promover mulheres para cargos internos também subiu, passando de 38,8% para 48,7%. Outro ponto de destaque é que 7% dos estabelecimentos já adotam políticas de contratação para mulheres em situação de violência, com maior adesão nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Contrastes regionais na desigualdade salarial
No cenário nacional, os estados do Acre, Piauí e o Distrito Federal apresentam os menores índices de disparidade, onde os ganhos femininos chegam a superar 91% dos rendimentos masculinos. Em contrapartida, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná figuram como as regiões com maior desigualdade salarial no país. O levantamento, portanto, indica que a proximidade da igualdade financeira varia drasticamente conforme a localidade, exigindo estratégias regionais específicas para o cumprimento da lei.
Por fim, os dados reforçam a necessidade de um monitoramento contínuo sobre os critérios remuneratórios das grandes empresas brasileiras. Embora o aumento da contratação seja um avanço, a estagnação na equiparação de salários para funções idênticas demonstra que a barreira cultural ainda é forte. Dessa forma, o governo federal pretende utilizar os relatórios para intensificar a fiscalização e garantir que o crescimento da participação feminina no mercado venha acompanhado de justiça financeira.
