Os trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte decidiram, em assembleia realizada nestea segunda-feira (27), em iniciar a greve da categoria. A paralisação foi aprovada por ampla maioria e ocorre em meio a críticas à condução da política educacional da capital.
Segundo os profissionais, o movimento é motivado por um cenário que classificam como ‘apagão na educação’, marcado por más condições de trabalho, falta de diálogo com a Prefeitura e problemas estruturais nas escolas.
Após a assembleia, os educadores realizaram um ato até a sede da Prefeitura, onde dialogaram com a população e denunciaram os impactos das medidas adotadas pela administração municipal.
Entre as principais queixas estão a sobrecarga de trabalho, turmas sem professores, improvisos na gestão escolar e a redução de recursos para manutenção das unidades. Direções escolares relatam cortes de até 50% nas verbas, o que compromete o funcionamento básico das escolas.
Privatização e falta de profissionais estão entre as críticas
A categoria também critica mudanças na educação infantil, como a substituição de professores por monitores e estagiários, o que, segundo os trabalhadores, representa precarização do ensino.
Outro ponto de tensão é a transferência do Atendimento Educacional Especializado para organizações da sociedade civil (OSCs). Para os educadores, a medida configura uma privatização de um serviço que deveria ser garantido por profissionais concursados.
Além disso, há denúncias de desorganização nos serviços terceirizados, com relatos de funcionários sem pagamento, sem vale-transporte e até ausência de profissionais em algumas escolas.
Mobilização segue com atos e nova assembleia decisiva
A greve faz parte da campanha salarial de 2026 e inclui reivindicações como valorização profissional, aplicação da Lei do Piso e melhores condições de trabalho.
A categoria organizou um calendário de mobilizações ao longo da semana, com atos, reuniões regionais e ações nas comunidades. O próximo momento decisivo será no dia 5 de maio, quando uma nova assembleia irá definir os rumos do movimento.
Os trabalhadores afirmam que a paralisação continuará até que haja negociação efetiva e respostas concretas da Prefeitura às demandas apresentadas.