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Minas quer mudança, mas ainda não sabe com quem

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 28/04/2026
  • 10:51

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(Agência Senado + Larissa Reis/98)

(Agência Senado + Larissa Reis/98)

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A nova pesquisa Genial/Quaest sobre Minas Gerais mostra uma eleição que ainda está mais para neblina de serra do que para dias de sol nas montanhas. Há sinais claros, há pistas fortes, há nomes na frente, mas o eleitor ainda não fechou a porteira. O mineiro, velho especialista em desconfiar antes de aderir, parece dizer aos candidatos: “calma lá, uai, ainda estou olhando”.

A avaliação de Zema

O primeiro dado relevante é a situação do governo Romeu Zema. A aprovação continua majoritária: 52% aprovam, contra 41% que desaprovam. Em qualquer democracia normal, aprovar mais do que desaprovar é um ativo. Mas política não é fotografia de porta-retrato; é filme. Essa aprovação já foi mais confortável. A avaliação positiva do governo está em 32%, enquanto 36% classificam a gestão como regular e 26% como negativa. Regular, em política, é aquele território pantanoso: não é vaia, mas também não é aplauso de pé. É o eleitor sentado na arquibancada, com os braços cruzados, esperando o próximo lance.

A mudança como desejo

Quando a pergunta é sobre o que o próximo governador deve fazer, 44% dizem que ele deve mudar totalmente e 38% defendem mudar apenas o que não está bom. Só 13% querem simplesmente continuar o trabalho que vem sendo feito. Isso não significa necessariamente uma rejeição completa ao legado de Zema. 

Significa algo mais sofisticado, mais mineiro. O eleitor reconhece as entregas, mas não aceita que o próximo governo seja apenas uma extensão burocrática do anterior. Quer correção de rota. Quer novidade. Quer serviço. Quer menos discurso de planilha e mais resultado na vida real.

A transferência de votos

Aí entra o ponto mais incômodo para o campo governista: Zema não transfere voto por procuração. Para 49% dos entrevistados, ele não merece eleger um sucessor indicado por ele; 42% dizem que merece. É uma diferença pequena, mas politicamente barulhenta. O eleitor pode aprovar o governo e, ao mesmo tempo, não aceitar herdeiro ungido no gabinete. Aprovação de gestão não é escritura de cartório eleitoral. Em Minas, principalmente, ninguém gosta muito de receber candidato embrulhado para presente.

Cleitinho na frente 

Nesse ambiente, Cleitinho Azevedo aparece como o nome mais forte nos cenários em que é testado. Na espontânea, tem 7%, número aparentemente baixo, mas expressivo num quadro em que 86% ainda estão indecisos. Na estimulada, vai a 30%, 35% e 37%, dependendo da composição da disputa. É uma liderança relevante. Mas é preciso cuidado com a leitura: liderança em abril de 2026 não é diploma de posse. 

O eleitor pode mudar o voto

Ainda mais quando 60% dos eleitores dizem que podem mudar o voto para governador. A eleição está em movimento. Quem tratar pesquisa como sentença pode descobrir, mais adiante, que era apenas um bilhete escrito a lápis.

O dado mais interessante sobre Cleitinho talvez não esteja apenas no percentual. Está no tipo de eleitorado que ele mobiliza. Ele aparece forte entre eleitores à direita, especialmente entre bolsonaristas e direita não bolsonarista, mas também tem presença fora dessa bolha. 

Sua força vem de uma combinação conhecida: linguagem direta, apelo de fiscalização, presença digital e imagem de político que fala menos como gabinete e mais como rua. Isso pode ser trunfo. Também pode ser limite. Uma coisa é crescer como voz de denúncia. Outra, mais dura, é convencer o eleitor de que denúncia vira governo, que indignação vira orçamento, que vídeo vira equipe, que fiscalização vira gestão.

Mateus não se consolida em números 

Por outro lado, os nomes mais associados a estruturas tradicionais ou a arranjos de centro ainda parecem patinar. Mateus Simões, herdeiro natural do campo governista, aparece com números modestos nos cenários de primeiro turno: 4%, 5% ou 3%, conforme a simulação. Isso mostra o tamanho do desafio de transferência. 

Ele pode ter máquina, tempo, articulação e o selo de continuidade, mas ainda não tem, pelo menos na fotografia atual, musculatura popular suficiente. A eleição para ele começa com uma tarefa clara: sair da condição de nome conhecido nos bastidores para se tornar personagem reconhecido pelo eleitor comum.

O dilema Pacheco 

Rodrigo Pacheco, por sua vez, aparece entre 8%, 11% e 12% em cenários estimulados para governador, dependendo da lista. É um desempenho que revela presença, mas não arranque. Pacheco tem densidade institucional, trânsito nacional, imagem de moderação e capital no mundo político. O problema é que eleição majoritária estadual exige calor de rua. Exige palanque com cheiro de feira, conversa de cidade média, presença nos rincões. Em Minas, o eleitor respeita autoridade, mas só vota nela quando sente que ela desceu do mármore e pisou no chão de poeira.

O capital de Kalil

Alexandre Kalil aparece como nome competitivo em alguns cenários, especialmente quando Cleitinho não está na disputa. Sem o senador do Republicanos, Kalil marca 18%, à frente de Pacheco, que aparece com 12%. 

Mas o cenário sem Cleitinho revela mais vazio do que consolidação: 32% dizem votar branco, nulo ou não votar, e 19% estão indecisos. Ou seja, sem o nome que hoje ocupa o espaço de maior tração, o eleitorado não migra automaticamente para outro polo. Ele se dispersa. E dispersão, em política, é convite para erro de cálculo.

Há ainda um dado estrutural que deveria acender luz amarela em todos os comitês: o eleitor mineiro quer independência. Para governador, 37% preferem um candidato independente, contra 30% aliado de Lula e 28% aliado de Bolsonaro. 

O cenário para o Senado

Para o Senado, o recado é ainda mais evidente: 47% querem nomes independentes. Isso não quer dizer que Lula e Bolsonaro sejam irrelevantes. Seria ingenuidade. Quer dizer que Minas não parece disposta a aceitar uma eleição inteiramente sequestrada pela guerra nacional. O eleitor pode ter lado, pode ter preferência, pode ter rejeição, mas quer que o estado seja mais do que filial de Brasília.

Esse é um ponto essencial. Minas é grande demais para ser puxadinho. Tem problemas próprios, economia própria, regiões muito diferentes, demandas concretas e uma tradição política que mistura prudência, desconfiança e pragmatismo. A pesquisa mostra que saúde, com 26%, é apontada como o maior problema do estado. Depois vêm infraestrutura, com 13%, e educação e violência, ambas com 10%. Isso significa que a campanha que ficar apenas na bandeira ideológica pode falar alto e convencer pouco. O eleitor quer saber de hospital, estrada, escola, segurança, emprego, cidade funcionando. Quer o básico, esse luxo republicano que, no Brasil, ainda parece promessa de ficção científica.

A disputa pelo Senado confirma o mesmo espírito de abertura. A pesquisa mostra nomes conhecidos, potenciais de voto distintos e rejeições importantes. Aécio Neves, por exemplo, tem 36% de potencial de voto, mas também 51% de rejeição. É o retrato clássico de uma figura de altíssimo conhecimento público: tem memória eleitoral, mas carrega também passivo pesado. Outros nomes aparecem com menor rejeição, mas também com maior desconhecimento. O Senado, portanto, ainda é campo em construção.

Para finalizar

No fim, a pesquisa Genial/Quaest não entrega uma eleição resolvida. Entrega um roteiro em aberto. Cleitinho larga na frente. Zema mantém aprovação, mas com desgaste e baixa transferência automática. Mateus Simões tem desafio de popularização. Pacheco precisa transformar capital institucional em voto. Kalil preserva espaço, mas depende da configuração da disputa. E o eleitor, esse personagem principal que os políticos insistem em tratar como figurante, diz que ainda pode mudar de ideia.

Minas, como sempre, fala baixo. Mas quando fala baixo, convém escutar com atenção. A mensagem da pesquisa é simples: o estado quer mudança, mas ainda está escolhendo o tipo de mudança. Quer independência, mas não despreza lideranças nacionais. Aprova parte do que foi feito, mas não assina cheque em branco para sucessor. E, sobretudo, mantém a eleição viva.

Em Minas, eleição decidida antes da hora costuma ser miragem. E a miragem, na política mineira, é perigosa. O candidato acha que está vendo uma avenida aberta, mas pode estar entrando, sorridente, num beco de pedra-sabão.

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Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

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