A insegurança ainda pesa na decisão de muitas brasileiras que pensam em viajar sozinhas. Levantamento do Ministério do Turismo indica que mais de 60% já desistiram desse tipo de experiência por medo, um dado que evidencia falhas em áreas como infraestrutura e segurança. Para tentar reverter esse cenário, o governo federal afirma ter intensificado medidas voltadas à proteção e à autonomia dessas viajantes.
Durante o programa Bom Dia, Ministro, ao responder ao repórter Júlio Vieira, da 98 News, o ministro do Turismo detalhou parte dessas ações. Entre elas, está a criação de um guia direcionado a mulheres que viajam sozinhas, além da integração dessas iniciativas a políticas mais amplas de enfrentamento à violência de gênero.
Segundo o ministro, as medidas estão integradas ao Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal no início do ano. Entre as principais ações está um guia desenvolvido em parceria com a UNESCO, voltado tanto para orientar mulheres viajantes quanto para preparar o setor turístico a recebê-las com mais segurança.
Dados do próprio ministério apontam que mais de 60% das mulheres brasileiras já deixaram de viajar sozinhas por questões relacionadas à segurança. Por outro lado, a pesquisa também revela que 70% das entrevistadas relatam experiências positivas ao viajar desacompanhadas, destacando a autonomia e liberdade como principais benefícios.
“Isso nos motivou a construir esse guia, que não só orienta as mulheres, mas também estabelece diretrizes para hotéis, bares e restaurantes”, afirmou o ministro. Entre as recomendações práticas está, por exemplo, a priorização de quartos próximos a elevadores para mulheres que viajam sozinhas, reduzindo a exposição a situações de risco.
A proposta também busca sensibilizar empreendedores do turismo e ampliar a discussão sobre infraestrutura e segurança em viagens, incluindo possíveis diálogos com governos estaduais e concessionárias de rodovias.
O ministro ressaltou que, apesar dos avanços no setor turístico, é fundamental enfrentar desigualdades e garantir inclusão. “Não podemos apenas comemorar recordes. Precisamos olhar para as questões sociais e garantir que o turismo seja seguro e acessível para todos, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil”, concluiu.
