O presidente Lula vai a Washington, nos Estados Unidos, onde deve se reunir com o presidente Donald Trump nesta quinta-feira (7/5), na Casa Branca. A agenda deve tratar principalmente de comércio e combate ao crime organizado, em meio à tentativa do governo brasileiro de normalizar a relação bilateral com os Estados Unidos.
O que deve ser discutido na reunião?
O governo brasileiro pretende apresentar ações de combate a organizações criminosas e reforçar a cooperação com os Estados Unidos contra o tráfico internacional de armas e drogas.
No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação para compartilhamento de informações sobre apreensões feitas em aduanas dos dois países. A ideia é acelerar investigações sobre rotas, padrões e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Além da segurança pública, outros temas podem entrar na conversa, como comércio, geopolítica, terras raras e minerais críticos.
Por que o encontro é importante para o Brasil?
A viagem ocorre em um momento de tensão comercial e diplomática. O governo brasileiro quer evitar que eventuais tarifas contra produtos do país sejam usadas por motivação política.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a expectativa é avançar na normalização da relação com os Estados Unidos.
“Minha expectativa é que a gente siga normalizando a relação bilateral com os Estados Unidos. A gente não pode admitir que elementos estranhos, que inclusive joguem contra o país, fiquem criando problema para a população brasileira”, disse.
Segundo Durigan, o Brasil também deve sinalizar que pode adotar medidas de reciprocidade caso os Estados Unidos apliquem tarifas por razões políticas contra o país.
Combate ao crime organizado entra no centro da agenda
A presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na comitiva reforça o peso do tema segurança pública na viagem.
Lula já havia indicado que pretendia aproximar autoridades fiscalizadoras e policiais brasileiras do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para tratar de contrabando, narcotráfico e fluxos internacionais de produtos ilícitos.
A pauta também se conecta ao acordo recente entre os dois países para ampliar a troca de dados sobre tráfico de armas e drogas.
Guerra e minerais críticos também podem aparecer
Embora o Itamaraty não tenha detalhado todos os pontos da reunião, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode surgir durante a conversa. Lula tem criticado publicamente conflitos internacionais e costuma defender soluções diplomáticas.
Em fala anterior, o presidente afirmou que pretende discutir divergências com Trump no campo político e argumentativo.
“Eu não quero guerra com você. A minha guerra com você é no argumento. Eu quero o poder da palavra para mostrar que nós estamos certo e você tá errado”, disse Lula, ao comentar a relação com o presidente norte-americano.
Outro tema possível é a exploração de terras raras e minerais críticos. Lula já afirmou que deseja negociar o assunto de forma soberana, com maior processamento desses recursos dentro do Brasil.
Quem integra a comitiva brasileira?
A comitiva presidencial inclui os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Wellington César, da Justiça e Segurança Pública; Dario Durigan, da Fazenda; Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Alexandre Silveira, de Minas e Energia; além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A princípio, Lula viaja apenas para a reunião com Trump e deve retornar ao Brasil após o encontro.
