A história do Bar da Cida, no bairro Floramar, em Belo Horizonte, tem um ingrediente especial: a persistência. E tem também um protagonista que conquistou o paladar dos clientes e ajudou a transformar o estabelecimento em uma referência da região: o caldo.
Em entrevista ao programa Buteco 98 exibido no sábado (7/11), Cida contou como uma ideia que começou em pequenas panelas de pressão, com capacidade para apenas quatro litros, se transformou em um dos grandes sucessos da casa. Atualmente, em noites frias, o bar chega a vender oito panelões de caldo.
O famoso caldo do Bar da Cida
Tudo começou com uma mudança de endereço e a necessidade de reinventar o negócio. Antes de se estabelecer no Floramar, Cida havia iniciado uma atividade comercial com o irmão, na garagem dele. A proposta era trabalhar com produtos como capelete, ravióli e itens de padaria. Quando se mudou para o bairro, porém, percebeu que o movimento não correspondia às expectativas.
Foi então que decidiu transformar o empreendimento em um bar. A mudança também tinha um propósito: modificar o ambiente do estabelecimento, que, segundo ela, era frequentado por pessoas que chegavam logo pela manhã para consumir bebidas alcoólicas.
Cida queria criar um espaço diferente, capaz de receber famílias, crianças e pessoas de todas as idades. A aposta foi no caldo.
“Caldo chama criança, senhora de idade, chama família e muda o ambiente”, explicou durante a entrevista.
A primeira tentativa foi modesta. Cida começou preparando pequenas quantidades de caldo de moela e rabada. Em alguns dias, vendia toda a produção. Em outros, não conseguia comercializar sequer uma porção. A situação chegou a um ponto tão difícil que as sobras eram distribuídas aos vizinhos, que já não conseguiam consumir tanto caldo.
Sem capital de giro e com a sensação de que o negócio não estava dando retorno, ela decidiu parar.
A virada, no entanto, aconteceu justamente quando Cida acreditava que aquela história havia chegado ao fim.
No dia seguinte à decisão de abandonar a produção, ela abriu o bar como de costume. Foi surpreendida clientes que chegaram perguntando pelo caldo. Cida explicou que não faria mais, porque estava tendo prejuízo e não tinha condições financeiras de continuar produzindo sem garantia de venda.
A insistência dos fregueses fez a empreendedora pensar em uma alternativa: preparar o caldo somente sob encomenda.
Ela pediu que os clientes voltassem no dia seguinte e informassem quantas pessoas levariam para consumir a iguaria. Assim, conseguiria dimensionar a produção e evitar desperdícios.
O resultado superou as expectativas. A primeira panela encomendada foi vendida inteira. No dia seguinte, os clientes voltaram, trouxeram mais pessoas e a pequena produção já não era suficiente para atender à demanda.
A partir dali, o crescimento aconteceu gradativamente. Vieram duas panelas, depois três, até que a estrutura precisou acompanhar o sucesso da cozinha.
Hoje, o caldo é vendido durante todo o ano, não apenas no inverno. Cida defende que a iguaria é uma opção saborosa e nutritiva mesmo nos dias mais quentes. Entre as variedades oferecidas estão caldo de feijão branco com dobradinha, angu com sardinha e combinações de feijão com mandioca.
A preparação também tem seus segredos. Cida destaca a qualidade dos ingredientes, como o feijão e a mandioca, e faz questão de preservar uma cozinha de tempero simples, sem excesso de condimentos.
“Produtos de qualidade, feijão bom, mandioca boa e o caldo fica gostoso. Isso faz a diferença”, afirmou.
