A deputada estadual e candidata a deputada federal Bella Gonçalves (PT) denunciou ter recebido novas ameaças de morte e estupro. Segundo a campanha, as mensagens também expõem dados pessoais da parlamentar e de familiares. Na madrugada desta terça-feira (08/9), o comitê central da candidatura, em Belo Horizonte, foi alvo de vandalismo e teve uma placa arrancada. Esta não é a primeira vez que Bella é alvo desse tipo de ameaça: em 2023, a parlamentar denunciou mensagens de morte e de “estupro corretivo”. A equipe informou que acionou a polícia e órgãos de Justiça para tentar identificar os responsáveis.
O episódio ocorre poucos dias depois de outra candidata a deputada federal em Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), de Divinópolis, também relatar ameaças de morte e estupro. No caso de Ana Elisa, a equipe jurídica afirmou que as mensagens também tinham conteúdo racista e que o autor se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco.
No caso de Bella, a campanha classifica as novas mensagens como violência política de gênero e afirma que as ameaças buscam intimidar a candidata e afastá-la da vida pública.
“Mais uma vez, a deputada Bella Gonçalves recebeu ameaças de morte e de estupro. As mensagens têm forte teor de violência política de gênero e buscam intimidá-la para afastá-la da vida pública”, informou a equipe.
Comitê de campanha é vandalizado
Além das ameaças enviadas à candidata, o comitê central da campanha de Bella, em Belo Horizonte, também foi alvo de vandalismo durante a madrugada. De acordo com a equipe, uma placa com material da candidatura foi arrancada.
A campanha relaciona os dois episódios e considera o ataque ao comitê parte de uma tentativa de intimidação.
“Não é coincidência: é parte da mesma tentativa de intimidação”, afirma a nota.
A equipe também informou que as mensagens continham dados pessoais de Bella e de integrantes da família da candidata, o que aumentou a preocupação com a segurança da parlamentar e de pessoas próximas.
Antes

Depois

Polícia e órgãos de Justiça foram acionados
Segundo a campanha, providências já foram adotadas junto às autoridades policiais e aos órgãos de Justiça. Os detalhes das medidas não serão divulgados neste momento para, de acordo com a equipe, preservar as investigações.
A campanha afirma ainda que Bella continuará exercendo o mandato de deputada estadual e disputando uma cadeira na Câmara dos Deputados.
“Bella Gonçalves não vai se calar nem recuar. Ameaça é um ataque à democracia. Seguimos com o mandato, com a nossa campanha a deputada federal e com o compromisso de representar as mulheres de Minas Gerais”, diz a manifestação.
Bella já recebeu ameaças de morte e ‘estupro corretivo’
Em agosto de 2023, Bella Gonçalves denunciou à Polícia Legislativa de Minas Gerais ter recebido e-mails com ameaças de morte e de “estupro corretivo”. Na época, a parlamentar ainda era filiada ao PSOL.
Uma das mensagens fazia referência à orientação sexual de Bella e dizia que a presença dela na política não seria mais “tolerada”. O autor também exigia que a deputada renunciasse ao mandato e deixasse Minas Gerais.
Dias depois, Bella recebeu outro e-mail com ameaça de violência sexual como forma de “cura lésbica”. As mensagens recebidas naquele período também faziam ameaças a outras parlamentares do campo progressista.
A deputada registrou boletim de ocorrência na Polícia Legislativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
Ana Elisa do PT também recebeu ameaças
O novo episódio envolvendo Bella ocorre poucos dias depois de Ana Elisa Santos Silva (PT), também candidata a deputada federal por Minas Gerais, denunciar ameaças de morte e estupro. Ana Elisa é de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado.
Segundo nota divulgada pela equipe jurídica da candidata, as ameaças foram enviadas por e-mail na manhã de sábado (05/9). O autor teria se apresentado como integrante de um grupo supremacista branco e enviado mensagens com conteúdo racista, além das ameaças de morte e violência sexual.
De acordo com a equipe, o responsável também mencionou dados pessoais de Ana Elisa para demonstrar que sabia como localizá-la e ameaçou familiares da candidata.
“Isso não é debate político, é crime. O conteúdo apresenta indícios de ameaça, racismo e violência política contra a mulher”, afirmou a equipe jurídica.
A campanha informou que providências policiais e judiciais já foram adotadas, inclusive para tentar identificar o autor. Os detalhes das medidas serão preservados para não prejudicar a apuração.
“A internet não é território de impunidade. Registros técnicos podem permitir a identificação de quem utiliza o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar”, diz a nota.
A equipe de Ana Elisa também afirmou que não aceitará que “racismo, ameaça, violência sexual ou violência política de gênero sejam tratados como parte normal da vida pública” e que o episódio será respondido com denúncia, investigação e cobrança por responsabilização.