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‘Não fui eleita apenas para defender uma identidade ideológica’, diz vereadora que assumirá vaga na Câmara de BH

Por Igor Teixeira • Rede 98
10/10/2026 18:47 Atualizado há 2 horas
(Foto: Tatiana Francisca/CMBH)

A futura vereadora Dai Dias (PL), que assumirá a vaga de Pablo Almeida (PL) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, pretende priorizar a proteção da infância, as políticas para a população em situação de rua e o fortalecimento das organizações sociais. Em entrevista à Rádio 98, a suplente, que se identifica como conservadora e de direita, também defendeu o diálogo com parlamentares de esquerda e afirmou que pretende avaliar as propostas apresentadas na Casa independentemente da posição partidária de seus autores.

“Não fui eleita apenas para defender uma identidade ideológica. Fui eleita para trabalhar por Belo Horizonte. Minhas convicções orientam meu mandato, mas precisam se traduzir em propostas concretas e em benefícios para a população”, afirmou.

Dai participa de iniciativas sociais como a Rede Solidária BH e o Banho Solidário. Segundo ela, a atuação nessas organizações influenciou sua entrada na política partidária.

A futura vereadora afirma ter escolhido o PL por se identificar com pautas como liberdade econômica, responsabilidade individual, família e empreendedorismo.

População em situação de rua

Uma das prioridades apresentadas por Dai é a política municipal para pessoas em situação de rua. Ela defende que a assistência social seja acompanhada de medidas voltadas à autonomia e à reinserção social.

A futura vereadora citou dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que apontavam 15.474 pessoas nessa condição em Belo Horizonte em dezembro de 2025.

Dai questionou a efetividade das ações de distribuição de alimentos quando não estão associadas a outras políticas públicas.

“Acolher quem tem fome é necessário, mas precisamos ter coragem de perguntar: por que, apesar de tantas ações, o problema continua crescendo?”, afirmou.

Ela defende a integração entre assistência social, saúde mental, tratamento para dependência química, acolhimento e oportunidades de reinserção social.

“Rua não é casa, e sobreviver na rua não é viver com dignidade. Distribuir alimentos pode aliviar a fome naquele dia, mas precisamos ir além”, declarou.

Na Câmara, Dai pretende fiscalizar a aplicação dos recursos municipais destinados a essa população e acompanhar os resultados das políticas públicas.

“Não basta contabilizar refeições distribuídas e atendimentos realizados; precisamos acompanhar quantas pessoas conseguem reconstruir sua autonomia e deixar as ruas”, disse.

Relação com vereadores de esquerda

Questionada sobre a composição majoritariamente conservadora da Câmara Municipal, Dai avaliou que o cenário poderá favorecer a discussão de propostas alinhadas às suas posições políticas.

A futura vereadora afirmou, entretanto, que pretende dialogar com parlamentares de esquerda quando houver possibilidade de construir projetos em conjunto.

“Com os parlamentares de esquerda, pretendo dialogar sempre que houver espaço para construir soluções. Dialogar, entretanto, não significa abrir mão dos meus princípios nem fingir que nossas diferenças não existem”, afirmou.

Dai também contestou a associação entre determinadas políticas sociais e o campo político da esquerda.

“O que não aceito é a ideia de que determinadas causas sociais pertençam exclusivamente à esquerda. Defender crianças, combater a fome, acolher pessoas vulneráveis e fortalecer comunidades não é monopólio de partido algum e muito menos da esquerda”, declarou.

Segundo ela, as divergências partidárias não devem impedir a análise de propostas para Belo Horizonte.

Pautas conservadoras e constitucionalidade

Ao comentar a discussão de propostas conservadoras na Câmara, Dai afirmou que é necessário diferenciar discordâncias ideológicas de questionamentos sobre a constitucionalidade dos projetos.

A futura vereadora defendeu que as propostas sejam analisadas considerando a competência do município para legislar, a iniciativa adequada e a compatibilidade com a Constituição.

“Os valores conservadores têm legitimidade no debate público e não devem ser tratados como se fossem uma ameaça por definição. Da mesma forma, nenhum parlamentar está acima da Constituição ou dos limites legais de sua função”, afirmou.

Ela também disse que não pretende concentrar o mandato em discussões exclusivamente ideológicas.

“Não tenho interesse em uma política que produza apenas polêmicas ou manchetes. Quero discutir ideias, apresentar propostas que possam sair do papel”, declarou.

Proteção da infância

Dai apontou a proteção da infância como sua primeira prioridade para os dois anos de mandato.

Ela pretende defender medidas de prevenção à violência contra crianças e adolescentes, além de ampliar a fiscalização sobre a atuação da rede municipal de proteção.

A futura vereadora também defendeu atividades educativas para orientar crianças, famílias e profissionais da educação sobre a identificação de situações de abuso e os procedimentos para denunciá-las.

“Não podemos esperar que a violência aconteça para só então agir. Proteger a infância exige prevenção, informação e uma rede de proteção que funcione de verdade”, afirmou.

Outras prioridades apresentadas são a redução da burocracia para organizações da sociedade civil, a ampliação das possibilidades de parceria dessas entidades com o município e a simplificação de procedimentos relacionados ao empreendedorismo.

Mandato de dois anos

Dai terá aproximadamente dois anos de mandato até as próximas eleições municipais, previstas para 2028.

Questionada sobre uma possível candidatura à reeleição, afirmou que pretende concentrar o trabalho na apresentação de propostas e na fiscalização da Prefeitura.

“Sobre a reeleição, considero que ela deve ser consequência do trabalho, e não a finalidade do mandato. Não quero usar a Câmara apenas como plataforma eleitoral”, disse.

Dai assumirá a cadeira de Pablo Almeida (PL), eleito deputado estadual em 2026.

Além dela, Marcos Crispim (DC) ocupará a vaga de Flávia Borja; Maria da Consolação Rocha (PSOL) substituirá Iza Lourença; e Luana de Souza (PT) assumirá a cadeira deixada por Pedro Rousseff. Os três parlamentares que deixarão a Câmara, assim como Pablo Almeida, foram eleitos para outros cargos nas eleições de outubro.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.