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‘Quero um basta para a BH das desigualdades’, diz Luana de Souza, que assumirá vaga na Câmara

Por Igor Teixeira • Rede 98
10/10/2026 18:24 Atualizado há 2 horas
(Foto:Rafaella Ribeiro/CMBH)

A subsecretária de Assistência Social de Belo Horizonte, Luana de Souza (PT), vai assumir uma cadeira na Câmara Municipal com a defesa de um mandato voltado às periferias, ao enfrentamento das desigualdades e à ampliação dos serviços públicos. Eleita suplente com 6.495 votos em 2024, ela ocupará a vaga deixada por Pedro Rousseff (PT), eleito deputado federal, e afirma que pretende priorizar assistência social, mobilidade, cultura periférica, políticas para mulheres, juventude e população negra.

“Eu quero um basta, sabe, para Belo Horizonte das desigualdades. Eu quero uma Belo Horizonte que seja boa para todo mundo. Nosso desafio é construir uma cidade mais justa, democrática, diversa, acessível para todas as pessoas”, afirmou Luana à Rádio 98.

Criada na Regional Leste de Belo Horizonte, Luana se apresenta como mulher negra, mãe, jovem e periférica. Ela iniciou a trajetória política no movimento de juventude negra, por meio da Juventude da Coordenação Nacional de Entidades Negras (JCONEN), e também participou do movimento estudantil.

Na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), integrou a direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE) do campus Coração Eucarístico. No PT, passou pela Secretaria Nacional de Juventude, pela Secretaria Nacional de Combate ao Racismo e pelo Diretório Municipal de Belo Horizonte.

“Eu conheço esses desafios não apenas pelas estatísticas, mas pela minha própria trajetória. E eu acredito que Belo Horizonte precisa ser pensada a partir de quem mais precisa da cidade e de quem historicamente teve seus direitos negados”, disse.

Assistência social e periferias

Desde as eleições municipais de 2024, Luana atuou como subsecretária de Assistência Social da capital. Ela cita como parte do trabalho no Executivo o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a ampliação da rede de Centros de Referência de Assistência Social (Cras), da capacidade das unidades de acolhimento e das unidades móveis do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas).

Na Câmara, a futura vereadora pretende levar parte dessa experiência para a atuação parlamentar. Entre as prioridades mencionadas estão o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e do SUAS, a ampliação das vagas em creches, melhorias no transporte coletivo, moradia e a descentralização dos investimentos públicos.

“A gente precisa fazer os investimentos chegar nas vilas e favelas e nas nossas periferias”, afirmou.

Luana também defende políticas voltadas à cultura produzida nas periferias, às manifestações populares, aos povos de terreiro, ao congado e às expressões culturais da juventude negra.

“Eu quero levar para a Câmara Municipal o olhar de quem conhece Belo Horizonte para além do centro. De quem sabe que a cidade precisa ser pensada também a partir das vilas e favelas, dos bairros populares e das pessoas que historicamente tiveram seus direitos negados em BH”, declarou.

Relação com uma Câmara de maioria conservadora

Luana reconhece que encontrará uma Câmara de perfil majoritariamente conservador e afirma que pretende manter as próprias posições sem fechar espaço para articulações com parlamentares de outros campos políticos.

“Eu não vou confundir jamais diálogo com abrir mão dos meus princípios”, disse.

A petista afirmou que pretende buscar vereadores de diferentes posições quando houver convergência em propostas para a cidade. Ao mesmo tempo, defende que a maioria política da Casa não resulte em falta de espaço para as minorias.

“A existência de uma maioria política não pode significar ausência de debate, desrespeito às minorias ou aprovação de propostas que contrariam as garantias constitucionais”, afirmou.

Para Luana, parte da força do mandato também deverá vir da mobilização fora da Câmara, com participação de movimentos sociais, organizações populares, coletivos culturais, comunidades tradicionais e moradores das periferias.

“Eu não quero apenas levar a voz dos territórios para dentro da Câmara. Eu quero que essas pessoas participem efetivamente das decisões e da construção do nosso mandato”, disse.

Dois anos de mandato

Luana terá cerca de dois anos de mandato até as eleições municipais de 2028. Para ela, uma eventual tentativa de permanecer na Câmara deve ser consequência do trabalho realizado nesse período.

“Sobre uma possível reeleição, eu acredito que ela deve ser consequência de um mandato comprometido, presente e coerente com a nossa trajetória. Meu foco agora é trabalhar e honrar a confiança de quem construiu coletivamente esse caminho e de quem confiou em mim em 2024 com o seu voto”, afirmou.

A futura vereadora também disse que pretende avaliar o trabalho não apenas pelo número de projetos apresentados, mas pelos resultados das iniciativas e da fiscalização dos serviços públicos.

“Mais do que pensar na próxima eleição, eu quero fazer valer cada dia desses dois anos de mandato”, concluiu.

Mudanças na Câmara de BH

Luana de Souza assumirá a cadeira deixada por Pedro Rousseff (PT), eleito deputado federal nas eleições de 2026.

Além dela, outros três suplentes passarão a integrar a Câmara Municipal. Marcos Crispim (DC) ficará com a vaga de Flávia Borja, eleita deputada estadual; Dai Dias (PL) assumirá a cadeira de Pablo Almeida (PL), também eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais; e Maria da Consolação Rocha (PSOL) ocupará a vaga de Iza Lourença (PSOL), eleita deputada estadual.

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Igor Teixeira
Igor Teixeira
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.