O corpo do autor Manoel Carlos, carinhosamente conhecido como Maneco, é velado no Rio de Janeiro na tarde deste domingo (11/1). Um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, o escritor morreu nesse sábado (10/1), aos 92 anos.
Maneco estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson, condição que, no último ano, afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo.
O velório é fechado, restrito à família e a amigos íntimos. Em nota, a família agradeceu as manifestações de carinho e solicitou “respeito e privacidade neste momento delicado”.
As ‘Helenas’ de Maneco
Manoel Carlos criou uma tradição dramática que se tornou símbolo da TV brasileira: nomear de Helena suas protagonistas mais icônicas. De 1981 a 2014, as Helenas foram mulheres determinadas, falhas, humanas e, sobretudo, mães cujo amor pelos filhos superava qualquer desafio ético ou moral.
“As pessoas realmente têm muita curiosidade de saber. Helena é apenas um nome que eu acho mais apropriado a um personagem do que a uma pessoa real. Talvez porque eu sempre gostei de mitologia”, explicou o autor no documentário Tributo a Manoel Carlos, do Globoplay.
Qual Helena de Manoel Carlos você seria?
Qual Helena você seria?
Relembra todas as Helenas de Manoel Carlos
1981 | Baila Comigo (Lilian Lemmertz)
A primeira Helena surgiu interpretada por Lilian Lemmertz. A personagem era uma dona de casa angustiada por ter separado seus filhos gêmeos (Tony Ramos) ao nascer. O segredo da separação e o reencontro dos irmãos moveram a trama.
1991 | Felicidade (Maitê Proença)
Apelidada de Leninha, a personagem de Maitê Proença viveu um grande amor com Álvaro (Tony Ramos), mas acabou se casando com outro. Anos depois, reencontra a paixão e engravida, decidindo esconder a filha do pai biológico.
1995 | História de Amor (Regina Duarte)
A primeira parceria icônica com Regina Duarte. Helena vive um quadrilátero amoroso e enfrenta conflitos intensos com a filha rebelde, Joyce (Carla Marins). A trama revelava que Joyce era, na verdade, filha da irmã de Helena, criada por ela como se fosse sua.
1997 | Por Amor (Regina Duarte)
Talvez a mais polêmica de todas. Helena (Regina Duarte) engravida na mesma época que a filha, Eduarda (Gabriela Duarte). Após o bebê de Eduarda morrer no parto, Helena, num ato de amor desesperado, troca as crianças na maternidade para poupar a filha do sofrimento.
2000 | Laços de Família (Vera Fischer)
Vera Fischer deu vida a uma Helena que abriu mão do namorado Edu (Reynaldo Gianecchini) para a filha Camila (Carolina Dieckmann). O drama atingiu o ápice quando Camila descobre leucemia, e Helena decide engravidar do ex-marido (José Mayer) para gerar um doador de medula compatível e salvar a filha.
2003 | Mulheres Apaixonadas (Christiane Torloni)
Após 15 anos de um casamento morno, a Helena de Christiane Torloni decide buscar uma nova paixão e reacende um amor do passado com César (José Mayer). A novela é lembrada pelas múltiplas subtramas sociais, como a violência urbana no Rio.
2006 | Páginas da Vida (Regina Duarte)
Em sua terceira vez no papel, Regina Duarte vive uma médica que adota Clara (Joana Mocarzel), uma menina com Síndrome de Down rejeitada pela avó biológica (Lilia Cabral) após a morte da mãe no parto. É a “Helena da inclusão”.
2009 | Viver a Vida (Taís Araújo)
Taís Araújo foi a primeira Helena negra e também a mais jovem. Uma supermodelo internacional que abandona a carreira para casar, mas vê sua vida virar de cabeça para baixo quando a enteada, Luciana (Alinne Moraes), fica tetraplégica sob seus cuidados.
2014 | Em Família (Julia Lemmertz)
O ciclo se fechou com Julia Lemmertz, filha de Lilian (a primeira Helena). A trama girou em torno do ciúme possessivo de Laerte (Gabriel Braga Nunes) e o conflito de Helena ao ver a filha se envolver com o homem que foi sua grande paixão e tragédia no passado.
Trajetória e legado de Manoel Carlos na Globo
Manoel Carlos começou na TV Globo em 1972, como diretor-geral do “Fantástico”. Artista versátil, sua carreira começou nos palcos aos 17 anos, passando por diversas emissoras como autor, produtor, diretor e ator.
Suas obras definiram um estilo próprio: o “realismo do cotidiano”. Com o bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, servindo quase sempre de cenário — e personagem —, Maneco explorou como ninguém os conflitos familiares, a relação entre mães e filhos e os dramas da classe média alta carioca.
Ele estava aposentado desde 2014, quando escreveu sua última novela, Em Família. Maneco deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina.
