A captação de patrocínios para o Carnaval de 2026 não performou, até o momento, como o planejado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Ao todo, o município arrecadou apenas R$ 1 milhão dos R$ 21 milhões estimados ainda no ano passado em edital de realização da folia. O montante equivale a 4,76% do valor projetado.
Nesta terça-feira (27/1), o município formalizou, via Diário Oficial, a venda da segunda cota de patrocínio para a folia, no valor de R$ 500 mil. O acordo foi firmado com a rede Supermercados BH, do empresário Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro. Conforme o extrato oficial, a modalidade adquirida pela varejista mineira configura cota de “colaboração”.
Além da Supermercados BH, a prefeitura tem negócio fechado com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), também no valor de R$ 500 mil. A parceria com a entidade, primeira mirando o Carnaval de 2026, foi confirmada em outubro do ano passado.
Editais desertos
A primeira tentativa tentativa de captação de recursos ocorreu ainda em setembro do ano passado, com o lançamento do edital de cotas para empresas interessadas. O documento previa oito cotas separadas em quatro chancelas:
| Chancela | Nº de cotas | Valor mínimo | Descrição |
| Apresenta | 1 | R$10 milhões | possibilidade de ativação de uma marca sob a chancela “Apresenta” e mais cinco marcas sob a chancela “Patrocínio”. |
| Patrocínio Master | 1 | R$5 milhões | possibilidade de ativação de uma marca sob a chancela “Patrocínio Master” e uma marca sob a chancela “Patrocínio”. |
| Apoio | 2 | R$2 milhões (cada) | possibilidade de ativação de uma marca sob a chancela “Apoio”. |
| Colaboração | 4 | R$500 mil (cada) | possibilidade de ativação de uma marca sob a chancela “Colaboração”. |
O prazo inicial para envio das propostas terminou sem que nenhuma empresa apresentasse documentação ou oferta comercial. Diante da ausência de interessados, o edital foi oficialmente declarado deserto.
Na tentativa de reverter o cenário, a PBH relançou o chamamento público ainda em 2025, em outubro, com ajustes no cronograma e nas condições de participação. As alterações buscavam tornar o modelo mais atrativo ao mercado.
Apesar da prorrogação dos prazos e da manutenção das contrapartidas previstas, novamente não houve apresentação de propostas. Assim, o segundo edital também acabou declarado deserto.
Informações virão ‘em breve’, diz prefeitura
Questionada nesta terça-feira (27/1) sobre o impacto da lacuna de patrocínios para a realização da festa, a PBH não prestou detalhes. “As informações sobre o Carnaval de Belo Horizonte serão repassadas em breve”, afirmou o Executivo em nota. O período oficial de folia na cidade começa neste sábado (31/1) e vai até 22 de fevereiro.
Em nota enviada no início do mês, entretanto, a Belotur, empresa pública responsável pelo planejamento e coordenação do Carnaval, já havia garantido a plena realização da festa com ou sem patrocínios adicionais. Em caso de novo posicionamento, a matéria será atualizada.
Estado entra na folia
Também nesta terça, a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, anunciou um investimento de cerca de R$ 12 milhões no carnaval mineiro, entre a capital e cidades do interior. Engatado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o aporte contemplará blocos e escolas de samba de todas as regiões de Minas.
Em Belo Horizonte, especificamente, o investimento chegará nas avenidas sonorizadas. As estruturas, segundo Botega, serão aprimoradas com novos painéis de LED e tecnologias de áudio modernas. O objetivo, conforme a secretária, é elevar a qualidade da experiência para o folião e ampliar a repercussão midiática da festa.
O aporte do Governo de Minas não configura, entretanto, patrocínio no Carnaval de BH, já que não houve aquisição de cota prevista em edital. A reportagem solicitou à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo detalhes da aplicação da verba na capital e aguarda retorno. Assim que houver, a matéria será atualizada.
