PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Brumadinho: Corte alemã marca audiências em ação contra TÜV SÜD AG

Siga no

O objetivo da ação é responsabilizar a companhia TÜV SÜD AG, cuja sede fica na cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Compartilhar matéria

O Tribunal Distrital de Munique, na Alemanha, marcou três audiências do processo movido por 1,4 mil vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. O objetivo da ação é responsabilizar a companhia TÜV SÜD AG, cuja sede fica na cidade. Elas foram agendadas para o período de 26 a 28 de maio.

De iniciativa de habitantes dos municípios de Brumadinho e Mário Campos, a ação pede a responsabilização civil da empresa e o pagamento de uma indenização estimada em R$ 3,2 bilhões.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O escritório Pogust Goodhead representa as vítimas. A firma de advocacia também atuou na defesa dos direitos das vítimas da ruptura da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana , em 2015, por reparação por parte da acionista, a mineradora anglo-australiana BHP.

A TÜV SÜD AG é a empresa convocada a responder por controlar a Tüv Süd Bureau de Projetos e Consultoria LTDA, sua subsidiária no Brasil contratada para avaliar se a estrutura estava comprometida e representava algum risco.

A TÜV SÜD AG sustentou que “não tem responsabilidade legal pelo rompimento da barragem” e que uma vistoria realizada por autoridades, em novembro de 2018, três meses antes do crime socioambiental, confirmou a solidez da estrutura, atestada em laudo.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“A emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau foi legítima e em conformidade com a legislação aplicável e padrões técnicos. A barragem estava estável no momento das declarações de estabilidade”, argumentou a holding alemã em nota.

As vítimas alegam que a barragem da Mina Córrego do Feijão estava em más condições, ficando bastante abaixo, inclusive, dos parâmetros internacionais. Ao todo, 272 pessoas morreram na tragédia.

Crime

Para o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o caso deve ser lembrado como um crime, e não como uma tragédia ou um desastre inevitáveis. Para o MAB houve negligência deliberada por parte da mineradora Vale e da certificadora alemã.

No Brasil, somente agora, decorridos sete anos da ruptura, a 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte dará início, em 23 de fevereiro, às audiências de instrução – a primeira fase do processo que irá definir se os denunciados irão a júri popular. Os depoimentos de vítimas, testemunhas e réus deverão se estender até maio de 2027.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Atualmente, 15 pessoas físicas respondem criminalmente pelo crime. Onze são ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale e quatro, funcionários da TÜV SÜD.

Em ambos os processos, os réus podem ser punidos por homicídio doloso qualificado, com dolo eventual, isto é, quando se assume o risco de morte.

Já na denúncia remetida à Promotoria de Munique, os empregados da holding alemã podem ser condenados também pelos crimes de negligência originadora de inundação e corrupção.

Morosidade

Para levar o caso à Corte europeia, as vítimas contaram com o apoio das organizações alemãs Misereor e European Center for Constitutional and Human Rights (ECCHR).

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Conforme registra o Observatório das Ações Penais sobre a Tragédia de Brumadinho, a ação foi possível também graças à mobilização conjunta com o Instituto Cordilheira e a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum) e à contribuição advinda da cooperação Brasil-Alemanha, inclusive, para garantir a investigação dos fatos.

Segundo a Avabrum, desde 2019 foram impostas sucessivas dificuldades jurídicas aos familiares das vítimas e às vítimas que sobreviveram à tragédia.

“Houve disputa sobre a competência para o julgamento, solucionada apenas em dezembro de 2022, quando o Supremo Tribunal Federal definiu que a ação deveria tramitar na Justiça Federal”, pontua.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“O processo, originalmente físico, com 84 volumes, exigiu digitalização integral. Réus residentes no exterior precisaram ser citados por meio de cartas rogatórias. A isso se somam habeas corpus e recursos que suspenderam prazos em diferentes momentos, além da complexidade de uma denúncia com 477 páginas e milhares de documentos técnicos”, acrescenta o site Legado de Brumadinho.

O projeto surgiu a partir de três eixos: proteção da vida, luta cotidiana por Justiça e ressignificação da tragédia-crime por meio da cultura e da arte.

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de BH e região

Vídeo: Jacquin volta a BH e visita bar reformado no Pesadelo na Cozinha

Morre ex-síndica do Edifício JK, em BH, aos 78 anos

BH deve ter chuva forte neste sábado (14/3); veja previsão e temperaturas por regional

Primeiras estações da linha 2 do metrô de BH devem começar a operar até o meio do ano

BH terá nova linha Move entre Estação São Gabriel e Gutierrez

Páscoa 2026: mineiros preferem barras de chocolate e caixas de bombons a ovos tradicionais

Últimas notícias

Atlético x Vitória: acompanhe AO VIVO na Rede 98!

Moraes autoriza transferências de Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa para prisão no RJ

O Agente Secreto lidera menções positivas e favoritismo digital às vésperas do Oscar 2026

Ronaldo Caiado oficializa filiação ao PSD em busca de concorrer à Presidência

Filósofo alemão Jürgen Habermas, teórico da ‘esfera pública’, morre aos 96 anos

Governo prioriza abastecimento e segurar preço do diesel, diz Alckmin

Preço do diesel sobe quase 12% na semana e litro chega a R$ 6,80, mostra ANP

‘O Agente Secreto’ é baseado em história real? Tem livro?

Morre Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, aos 64 anos