A Avenida Presidente Juscelino Kubitscheck, chamada de Via Expressa, tem, em média, dois acidentes por dia. Nem mesmo a redução da velocidade máxima permitida entre Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana, de 80 para 60 quilômetros por hora, fez os acidentes diminuírem. A medida foi tomada pela Prefeitura da capital mineira com a intenção de aumentar a segurança no trecho, um dos mais movimentados da cidade. Porém, não houve mudanças significativas.
A alteração dos radares aconteceu em 17 de junho de 2025, sob a justificativa de tornar o trânsito mais seguro, com base na premissa de que velocidades menores reduzem a gravidade dos acidentes. Dados do Painel de Sinistro de Trânsito da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que o número de acidentes ficou praticamente estável.
Entre junho de 2025 e maio deste ano, foram registradas 657 ocorrências no trecho, com 138 feridos. No mesmo período entre 2024 e 2025 foram 661 registros, com 136 pessoas feridas.
As mortes aumentaram após a colocação dos radares. Três pessoas perderam a vida entre 2025 e 2026. Já no período anterior foram dois óbitos.
Para o médico e especialista em trânsito, Alysson Coimbra, a diminuição da velocidade na Via Expressa inibiu as ações de motoristas infratores. “A redução do limite máximo de velocidade de 80 para 60, não representa somente um problema e uma restrição para o motorista, mas uma adequação ao risco da coletividade que está inserida também nesse trecho. E a gente tem que compreender que esse ano não pode ser medido apenas pelos indicadores. Óbvio que reduziu mortes, mas principalmente as estatísticas não conseguem mostrar o que aconteceu no sentido de evitar colisões, atropelamentos, mortes. Ou seja, nós estamos falando de pessoas que mudaram o seu perfil de comportamento, de direção, que desistiram de continuar depois da fiscalização com excesso de velocidade”, explicou.
Para ele, a segurança no trânsito é fruto de um conjunto de fatores. “A pacificação, o controle da velocidade, a mudança de comportamento pela educação ou até mesmo pelo medo da punição, são eficientes e fazem parte de toda uma estrutura. Ou seja, o comportamento humano, ele vai sempre ser falho, mas o sistema deve ser organizado para ir além do fator humano. Porque o maior resultado dessa política, muitas vezes, é justamente aquilo que não aparece nas estatísticas”, concluiu.
A Rede 98 entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte e aguarda um posicionamento.
Via Expressa
Ocorrências
2025/2026 – 657
2024/2025 – 661
Feridos
2025/2026 – 138
2024/2025 – 136
Mortes
2025/2026 – 3
2024/2025 – 2
Fonte: Painel de Sinistro de Trânsito da Sejusp
