Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (25), a secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Natália Araújo, afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) mantém a posição adotada nas negociações com os trabalhadores da educação e voltou a defender que a greve da categoria perdeu o sentido após o atendimento de parte das reivindicações apresentadas pelo sindicato.
Na entrevista, a secretária negou falta de transparência sobre vagas e lotações na rede municipal, rebateu críticas relacionadas às mudanças no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e afirmou que a prefeitura já teria atendido sete dos oito principais pontos apresentados pelos trabalhadores durante as negociações.
Segundo a secretária, a prefeitura já teria atendido sete dos oito principais pontos apresentados pelos trabalhadores durante as negociações.
“Hoje nós passamos o final de semana trabalhando, a equipe inteira da prefeitura, e conseguimos atender o último ponto que era desejo desta categoria. Sete dos sete pontos apresentados foram atendidos. O oitavo a gente já dizia desde o início que não tinha como avançar. Então realmente a gente fica se perguntando o porquê desta greve continuar”, afirmou.
Prefeitura nega falta de transparência sobre vagas
Um dos pontos questionados pelo sindicato envolve a transparência sobre vagas, lotações e déficit de profissionais nas escolas da rede municipal.
Natália Araújo negou irregularidades e afirmou que a prefeitura já concordou em criar mecanismos de acompanhamento periódico das vagas.
Segundo ela, o município vem realizando nomeações frequentes para suprir aposentadorias e afastamentos.
A categoria, porém, afirma que ainda há falta de clareza sobre o quadro real de profissionais disponíveis nas escolas e denuncia dificuldades enfrentadas por servidores recém-empossados para localizar vagas efetivamente abertas.
Secretária rebate críticas sobre OSCs
A secretária também voltou a negar que a prefeitura esteja promovendo privatização da educação municipal.
Segundo Natália, os profissionais de apoio aos estudantes com deficiência já atuam hoje de forma terceirizada e apenas terão mudança no vínculo empregatício, deixando de ser ligados à MGS para atuar por meio de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) especializadas em educação inclusiva.
“Não estão chegando profissionais de OSCs. São os mesmos profissionais. Muda o vínculo deles. Hoje eles estão vinculados a uma empresa de limpeza predial e vão passar a ser vinculados a OSCs especializadas em educação inclusiva. Eles vão receber quase R$ 1 mil a mais para exercer o mesmo trabalho, mas de maneira muito melhor supervisionada, orientada e com a formação adequada”, disse.
A secretária também afirmou que há “uma disputa sindical” por trás da greve e relacionou o impasse à mudança de representação dos trabalhadores terceirizados.
Prefeitura diz que prejuízo pedagógico já existe
Natália Araújo afirmou ainda que o maior impacto da paralisação está sendo sentido pelas crianças da educação infantil e pelas famílias que dependem da escola pública para conseguir trabalhar.
Segundo ela, parte das perdas pedagógicas já não poderá mais ser recuperada.
“Esse prejuízo já está colocado. A criança se desenvolve lentamente na convivência diária no ambiente escolar, socializando, convivendo. Reposição para educação infantil não tem sentido. Não é colocando mais horas no sábado que ela vai recuperar o que perdeu nesses 40 dias fora da escola”, afirmou.
A secretária também disse que a prefeitura ainda pretende discutir formas de compensação do calendário escolar, mas condicionou qualquer negociação ao fim da greve.
“Quando o professor voltar, nós vamos avaliar dentro desses dias letivos perdidos o que faz sentido para as famílias. Talvez parte das férias de julho, talvez outras datas. Mas enquanto a greve continua, realmente não conseguimos avançar nessa discussão”, declarou.
Greve continua e nova assembleia está marcada
Os trabalhadores da educação decidiram manter a greve durante assembleia realizada na última sexta-feira (22), após a Secretaria Municipal de Educação encerrar oficialmente as negociações por meio de ofício.
O Sind-Rede/BH afirma que a prefeitura rompeu o diálogo de forma unilateral e cobra reabertura das negociações.
A categoria reivindica recomposição salarial, mudanças nas regras do Atendimento Educacional Especializado, mais transparência sobre vagas e melhores condições de trabalho nas escolas.