Equipes do Corpo de Bombeiros utilizam uma estratégia de silêncio absoluto para tentar localizar vítimas sob os escombros do imóvel que desabou na madrugada desta quinta-feira (5/3), no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte. A técnica, chamada de “escuta”, é considerada fundamental em operações de busca e salvamento em estruturas colapsadas.
Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Henrique Barcellos, durante o procedimento as equipes pedem silêncio total no local para tentar ouvir possíveis respostas das vítimas.
“Os bombeiros militares realizam um apito longo pedindo silêncio e chamam pelas vítimas. Caso elas consigam ouvir, orientamos que gritem ou batam três vezes para indicar onde estão”, explicou o tenente durante coletiva de imprensa.
A técnica já ajudou os militares a identificar pelo menos uma vítima com vida entre os escombros. De acordo com os bombeiros, a pessoa respondeu ao chamado das equipes e agora os militares trabalham para criar acessos seguros até o local.
Para alcançar essa vítima, estão sendo abertos três caminhos diferentes: um acesso superior, com retirada de escombros; um acesso lateral; e um túnel diagonal, construído cuidadosamente para evitar novos deslizamentos da estrutura.
Durante o trabalho, todo o material removido é escorado com equipamentos específicos, como escoras pneumáticas, para evitar movimentação dos escombros e garantir a segurança tanto das vítimas quanto das equipes de resgate.
“Em um cenário colapsado, qualquer movimento precisa ser calculado. Todo o trabalho é feito com muito cuidado para não provocar deslocamentos que possam atingir as vítimas ou os bombeiros”, afirmou Barcelos.
Equipe mobilizada
O desabamento mobiliza uma grande operação de resgate. Mais de 70 bombeiros militares atuam no local, com apoio de equipes especializadas em resposta a desastres, além de cães de busca.
Inicialmente, havia a informação de 29 pessoas no imóvel no momento do desabamento. Nove conseguiram sair por conta própria ou com ajuda de populares, pois estavam em uma parte da estrutura que não foi atingida pelo colapso.
Até o momento, seis vítimas foram resgatadas com vida, entre elas uma criança de 2 anos, e uma pessoa idosa foi encontrada sem vida. Outras vítimas ainda são procuradas sob os escombros.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o imóvel funcionava como lar de idosos, onde estavam 23 idosos distribuídos em seis suítes.
As equipes seguem trabalhando contra o tempo. Conforme a doutrina de resgate em desabamentos, as primeiras 24 horas são consideradas decisivas para localizar sobreviventes, especialmente quando existem bolsões de ar entre os escombros que podem permitir a respiração das vítimas.
