Em entrevista à 98 News, o vereador Cleiton Xavier (MDB) defendeu nesta sexta-feira (29/8) que a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte deixe de atuar de forma fixa em postos e centros de saúde e seja direcionada para o policiamento ostensivo na cidade. Segundo ele, a presença da guarda nesses locais nasceu de uma medida emergencial, mas hoje não representa o melhor uso da força de segurança.
“O ânimo do prefeito Álvaro Damião para com a nossa guarda civil municipal tem sido satisfatório demais. Quando o prefeito anuncia a convocação de 500 novos guardas civis municipais vestindo uma farda, ele mostra o que nenhum outro ter feito na história de Belo Horizonte, pelo menos que eu tenho notícia, teria feito.”
O vereador lembrou que, nos postos de saúde, os guardas atuam desarmados e isolados, sem condições de garantir a chamada supremacia de força. “O que nós vemos nos postos é um único agente e desarmado. Os grupos especializados, por exemplo, não podem fazer uma busca pessoal nem mesmo uma abordagem em frente a um posto de saúde, porque após aquela abordagem o agente que está no posto fica desguarnecido.”
Vigilância armada em unidades de saúde
Cleiton Xavier defendeu que o modelo seja substituído por vigilância privada armada, liberando os guardas para a atuação ostensiva.
“Quando você coloca um profissional de segurança pública para fazer guarda de um patrimônio da maneira que está sendo feito em Belo Horizonte, você não utiliza da melhor forma uma força de segurança. A nossa guarda não pode ser usada como se fosse um porteiro, um vigilante parado observando entrada e saída de pessoas.”
Segundo ele, até dezembro a prefeitura deve consolidar o novo modelo. “Nós teríamos talvez a mesma segurança tendo dois, três vigilantes em cada posto de saúde. Mas quando utilizamos a nossa guarda, dependendo do plantão, mais de 300 homens e mulheres deixam de estar aptos para fazer segurança pública nas ruas.”
Estatuto da Guarda
O vereador também comentou o debate na Câmara sobre mudanças no estatuto da Guarda Municipal, que limitam a permanência em cargos comissionados e de confiança.
“É um anseio de toda a tropa a oxigenação. Nós temos profissionais há 10 anos no mesmo posto. Isso não é salutar para a base, que percebe que, por mais que esteja labutando no dia a dia, talvez não consiga alcançar patamares mais altos. A segurança não pode ficar para trás do que já é praticado em outras forças.”
Violência nas escolas
Cleiton Xavier defendeu programas de prevenção à violência em ambiente escolar, mas descartou manter guardas fixos dentro das unidades.
“Eu não sou a favor de colocar um policial municipal fixo dentro de nenhuma escola. Agora, o trabalho externo de policiamento nós devemos pensar. E temos muitos profissionais na nossa guarda capazes de atuar em programas educacionais, de prevenção, de palestras, assim como a Polícia Militar já faz com o Proerd.”
Armamento da Guarda
O vereador ainda destacou a necessidade de ampliar os recursos da Guarda Municipal para garantir policiamento ostensivo de qualidade.
“Hoje nós temos uma polícia municipal com 3.000 profissionais e nós não temos, por exemplo, um fuzil. Quando você vai pegar as ocorrências policiais em Belo Horizonte, dificilmente se apreende revólver. São pistolas semiautomáticas, de grosso calibre, de alto poder de fogo. A nossa guarda precisa estar equipada para isso.”
Ele disse que o secretário de Segurança, Márcio Lobato, tem buscado emendas parlamentares para reforçar a estrutura da corporação. “Essas emendas vão possibilitar que nós tenhamos uma polícia extremamente equipada. Belo Horizonte ainda aparece em rankings de cidades mais violentas do mundo. Para quem nasceu e ama essa cidade, isso preocupa demais.”