O Abrigo Amigo registrou 513 chamados nos primeiros 15 dias de funcionamento em Belo Horizonte. Dois deles se transformaram em ocorrências policiais. Os números foram divulgados pela gerente de marketing da Claro, Viviane Seabra, em entrevista ao Buenos Dias, da Rede 98, nesta quinta-feira (20/8).
Na mesma entrevista, a executiva confirmou que a capital mineira já registrou casos de vandalismo nos equipamentos situação que, segundo ela, não ocorreu nas outras nove capitais onde o projeto funciona.
Como funciona o Abrigo Amigo
O Abrigo Amigo é um ponto de ônibus com atendimento remoto por chamada de vídeo, voltado para quem espera o coletivo à noite. O serviço funciona todos os dias, das 20h às 5h.
- O passageiro aperta um botão no painel do abrigo
- A chamada é aberta em tempo real com uma central de atendimento
- O contato não é gravado nem filmado
- A atendente pode acionar as forças de segurança quando necessário
- A duração média de cada chamada é de cerca de três minutos
O projeto é uma parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte, a Claro e a Eletromidia.
Quem atende do outro lado
A central é formada por 30 mulheres, que atendem todos os equipamentos do projeto no país. Segundo Viviane Seabra, elas passam por treinamento específico para lidar com situações de risco.
“São 30 mulheres para esse atendimento online. Elas são super treinadas, inclusive para lidar com pessoas em situações de vulnerabilidade ou de violência. Estão preparadas para ativar as forças públicas também”, afirmou a gerente de marketing da Claro.
O foco inicial é a segurança de mulheres, mas o botão pode ser acionado por qualquer pessoa que se sinta vulnerável ou que apenas queira companhia durante a espera. Entre os casos atendidos em outras cidades, Viviane Seabra citou uma passageira que ficou sem bateria no celular e precisou avisar o pai para buscá-la.
Vandalismo aparece só em BH
Questionada sobre a conservação dos equipamentos, Viviane Seabra afirmou que Belo Horizonte foi a única praça com problemas até agora.
“No resto do país a gente não teve problema nenhum. Aqui me parece que tivemos algumas questões, mas estamos entendendo por que isso aconteceu e como vamos lidar com isso. É um bem público, é nosso”, disse.
A executiva não detalhou quantos abrigos foram danificados nem qual o tipo de ocorrência registrada.
Onde estão os 87 abrigos já instalados
Dos 100 equipamentos previstos para a capital, 87 já estão em operação. A instalação segue ao longo de agosto.
A maior concentração está na região Centro-Sul, mas há unidades em bairros e regionais como Barreiro, Buritis e Belvedere. O mapeamento foi conduzido pela Prefeitura de Belo Horizonte e pela Eletromidia, empresa detentora dos abrigos.
O critério, segundo a Claro, considerou tanto o volume de passageiros quanto trechos mais ermos e com percepção de vulnerabilidade.
Acessibilidade do equipamento
O painel foi projetado para uso por diferentes perfis de passageiros:
- Botão instalado a 1,20 m de altura
- Identificação em braile
- Legenda durante o atendimento
O que acontece agora
Não há previsão confirmada de ampliação do número de abrigos em Belo Horizonte. A possibilidade de expansão para outras cidades mineiras existe, mas ainda não está fechada.
“Hoje a gente está fechado em 100 abrigos. Existe uma perspectiva de aumentar talvez para outras cidades de Minas Gerais, mas hoje eu não tenho essa informação”, afirmou Viviane Seabra.
Entenda o caso
O projeto nasceu em 2023, com 80 abrigos. A Claro assumiu o patrocínio em 2025 e a estrutura foi ampliada para mais de 600 unidades no país. A meta é ultrapassar 800 abrigos até 2027.
Belo Horizonte é a 10ª capital a receber o Abrigo Amigo. A iniciativa já opera em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Cuiabá.
