O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16/9) a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual dá continuidade ao ciclo de redução dos juros básicos da economia. A Selic estava em 14% desde a reunião de agosto.
A decisão foi tomada em meio à desaceleração da inflação, mas o Banco Central manteve um discurso de cautela sobre os próximos passos. Segundo o Copom, as expectativas para os preços continuam acima da meta e os riscos para a inflação permanecem elevados.
As projeções do próprio comitê apontam inflação de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028. Já as expectativas do mercado financeiro reunidas pela pesquisa Focus estão em 4,9% para este ano e 4,3% para 2027.
O Copom destacou que a atividade econômica apresenta uma desaceleração gradual ao longo de 2026, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido.
BC mantém cautela
Apesar do novo corte, o Banco Central não antecipou a magnitude das próximas reduções. O comitê afirmou que o tamanho total do ciclo dependerá dos novos dados econômicos e da trajetória da inflação.
Entre os riscos apontados estão a permanência das expectativas de inflação acima da meta, pressões sobre os preços de serviços, efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre petróleo e energia e uma eventual desvalorização mais persistente do real.
No sentido contrário, uma desaceleração mais intensa da economia brasileira ou mundial e uma queda nos preços das commodities poderiam contribuir para uma inflação menor.
O Banco Central também afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal sobre a inflação e os ativos financeiros.
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para operações de crédito, financiamentos e investimentos. A redução tende a diminuir o custo do crédito ao longo do tempo, embora a transmissão para as taxas cobradas de consumidores e empresas não seja automática.