A alta de mais de 300% nas pesquisas sobre a Mpox no Google Trends reflete a preocupação do brasileiro após as aglomerações do feriado de Carnaval. Apesar do alerta gerado pelo surgimento de uma nova variante no exterior e de casos recentes no país, o contágio exige contato físico prolongado, o que afasta o risco de transmissão em massa apenas por proximidade casual em blocos. O Ministério da Saúde descarta pânico e garante que a rede pública está preparada para testagem, isolamento e contenção.
Cenário epidemiológico no Brasil
Diferente da emergência global decretada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 2024, os números atuais demonstram uma franca desaceleração.
O Brasil contabiliza 47 casos confirmados neste início de 2026, um volume cinco vezes menor que os 260 registros desse mesmo período no ano passado.
A distribuição afeta São Paulo (que concentra 44 casos), Rio de Janeiro (3), e infecções pontuais no Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e Porto Alegre.
Todos os pacientes apresentam quadros leves ou moderados e não há registro de mortes. O SUS realiza o rastreamento de contatos por 14 dias, medida essencial para interromper a cadeia de transmissão local.
Nova variante internacional
No exterior, a OMS monitora uma nova cepa recombinante, que une características genéticas de dois clados diferentes (Ib e IIb).
Foram documentados pacientes com esta variante no Reino Unido e na Índia, ambos com histórico de viagens internacionais.
Os testes tradicionais de PCR podem não identificar especificamente esta mutação, o que exige o sequenciamento genômico completo. A similaridade de 99,9% entre os casos sugere que a cepa pode estar circulando em outros países de forma silenciosa.
Apesar da descoberta, a avaliação de risco global da OMS permanece inalterada: é considerada baixa para a população em geral e moderada para grupos expostos.
Transmissão e grupos de vulnerabilidade
A Mpoxé uma doença viral transmitida majoritariamente pelo contato físico direto e próximo com alguém infectado, inclusive durante relações sexuais.
Vias de contágio: Ocorre pelo toque em lesões na pele, contato com fluidos corporais, gotículas respiratórias em interações prolongadas e pelo compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas e roupas de cama.
Atenção aos grupos: Pessoas com o sistema imunológico comprometido (como portadores de HIV em estágio avançado) e profissionais de saúde na linha de frente possuem risco elevado de desenvolver formas mais graves e exigem atenção redobrada.
Sintomas, prevenção e vacinas
O período de incubação do vírus varia de 3 a 21 dias após a exposição. O Ministério da Saúde orienta isolamento imediato até a avaliação médica caso os sinais se manifestem.
Sintomas iniciais: Febre, dores musculares, dores de cabeça, calafrios, fraqueza extrema e gânglios inchados (as chamadas ínguas, localizadas no pescoço, axilas e virilha).
Evolução das lesões: Dias depois, surgem erupções cutâneas características, que evoluem de manchas para bolhas e, por fim, crostas. Elas afetam rosto, tronco, mãos, pés e também as regiões genital e anal.
Imunização: O Brasil disponibiliza vacinas seguras e eficazes pelo SUS. Elas são direcionadas estrategicamente a grupos prioritários ou aplicadas de forma preventiva após o contato com casos confirmados, visando reduzir a gravidade dos sintomas.
