Uma pesquisa coordenada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) aponta que o Brasil ampliou em sete anos a expectativa de vida nas últimas três décadas, mas teve esse avanço interrompido pela pandemia de Covid-19.
O levantamento integra o estudo internacional Carga Global de Doenças (GBD) 2023 e analisou dados entre 1990 e 2023 em todos os estados brasileiros.
Avanço histórico foi interrompido pela pandemia
De acordo com a pesquisa, o país registrou queda significativa na mortalidade ao longo de 30 anos, impulsionada principalmente pela redução de doenças infecciosas e cardiovasculares.
Esse cenário mudou entre 2020 e 2021, com a pandemia de Covid-19, que interrompeu a tendência de melhora nos indicadores de saúde.
Nesse período, a mortalidade aumentou cerca de 28%, e a doença se tornou a principal causa de morte no país.
Doenças crônicas seguem como principais causas de morte
Mesmo com os impactos da pandemia, doenças como AVC e problemas cardíacos continuam liderando as causas de morte no Brasil.
O estudo também aponta mudança no principal fator de risco: o índice de massa corporal elevado passou a ocupar o primeiro lugar em 2023, superando a hipertensão.
Desigualdade regional marcou impactos da Covid
A pesquisa identificou diferenças significativas entre regiões do país.
Estados do Norte registraram os maiores retrocessos durante a pandemia, com aumento expressivo da mortalidade. Já regiões como Sul e Sudeste tiveram melhores indicadores ao longo do período analisado.
Segundo os pesquisadores, essas diferenças refletem desigualdades históricas no acesso à saúde e nas condições de vida da população.
Expectativa de vida caiu, mas já foi recuperada
O estudo indica que a pandemia reduziu em média 3,4 anos da expectativa de vida no Brasil. Apesar do impacto, parte desse retrocesso já foi recuperado entre 2021 e 2023, com a retomada gradual dos indicadores de saúde.
Pesquisa aponta desafios para o futuro
Entre os principais desafios apontados estão o envelhecimento da população, o aumento de doenças crônicas e a necessidade de fortalecer programas de imunização.
Os pesquisadores também destacam a importância de preparar o sistema de saúde para futuras emergências sanitárias.
