A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) anunciou a suspensão da “assistência climática” que afirma prestar à Argentina em meio à crise diplomática envolvendo os governos brasileiro e argentino. A entidade declarou que interrompeu a atuação em território argentino em resposta a declarações do presidente Javier Milei consideradas ofensivas ao Brasil.
Em uma publicação nas redes sociais, a fundação afirmou que houve um “ataque político” contra o país e disse que, enquanto não houver um pedido formal de desculpas, a Argentina ficará “por sua conta e risco” na área climática, especialmente diante do início da influência do fenômeno El Niño.
A decisão ocorre após uma escalada de tensão entre Milei e o governo brasileiro. O presidente argentino fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante passagem pelo Brasil. As declarações provocaram reação do governo brasileiro, que convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir “repulsa” às falas do chefe de Estado argentino.
Durante o episódio, Milei acusou o governo brasileiro de promover uma suposta campanha contra a Argentina e fez críticas a integrantes da administração de Lula. As declarações aumentaram o desgaste entre os dois países, embora os governos não tenham indicado rompimento das relações diplomáticas.
Relação histórica com a Argentina
A Fundação Cacique Cobra Coral afirma que mantém uma relação histórica com a Argentina desde a década de 1980. Segundo a entidade, uma das principais ações ocorreu em janeiro de 1989, durante uma grave crise energética no país, quando realizou uma operação que teria como objetivo estimular chuvas para recuperar níveis de rios usados na geração de energia.
A atuação foi registrada por jornais brasileiros e argentinos na época. Uma reportagem do Jornal do Brasil, publicada em janeiro de 1989, relatou que a fundação havia se colocado à disposição do governo do então presidente Raúl Alfonsín para auxiliar no enfrentamento da crise de abastecimento elétrico por meio de intervenções climáticas.
Na ocasião, a própria entidade teria afirmado que a suposta atuação não substituiria investimentos públicos, melhorias na infraestrutura elétrica e manutenção das usinas argentinas.
A FCCC também relembrou uma publicação do jornal argentino La Nación, de fevereiro de 1989, sobre a recuperação dos níveis dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai após o período de crise.
A fundação se apresenta como uma instituição voltada ao estudo de fenômenos paranormais e espirituais ligados à defesa ambiental. A entidade afirma possuir convênios com órgãos públicos brasileiros, incluindo o Ministério de Minas e Energia e governos estaduais.
