Investimentos privados de longo prazo estão ganhando espaço no setor de mineração brasileiro. Durante a Exposibram 2026, a 98 News conversou com Ricardo Alves, diretor-executivo da Graphcoa, empresa do grupo Appian Capital Brasil, fundo de investimento privado especializado em metais e mineração.
Um dos principais investimentos do grupo atualmente em Minas Gerais é o projeto Grafite Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, que prevê cerca de R$ 700 milhões em investimentos. A iniciativa é voltada à exploração e produção de grafite concentrado.
Segundo Alves, a escolha por investir em mineração está relacionada ao potencial de retorno do setor, mas também exige uma visão de longo prazo. Diferentemente de investimentos mais tradicionais, os projetos de mineração demandam altos aportes iniciais e podem levar anos até começar a gerar resultados.
“Na mineração, em geral, são investimentos de alto risco. Você precisa ter um depósito mineral e ter certeza de que aquele projeto vai sair do papel sob as perspectivas ambiental e de mercado”, explicou.
Os fundos especializados permitem reunir recursos de diferentes investidores para financiar empreendimentos desse porte. Entre eles estão investidores privados, fundos de pensão e grandes instituições internacionais.
A Appian Capital Brasil já possui experiência em investimentos no setor mineral no país. De acordo com Alves, o grupo opera atualmente uma mina de níquel na Bahia e também já desenvolveu, construiu e operou um projeto de cobre em Alagoas, posteriormente vendido.
Agora, a aposta do grupo está em Minas Gerais. O projeto Grafite Jordânia é considerado estratégico pela empresa por atuar em um mercado ligado à transição energética. O grafite é utilizado na fabricação do material anódico das baterias de veículos elétricos.
Para Alves, o investimento também reforça o potencial do Vale do Jequitinhonha para receber novos empreendimentos de mineração e participar de cadeias produtivas relacionadas aos chamados minerais críticos.
Por que investir em mineração?
Apesar dos riscos e do longo prazo para obter retorno, a mineração continua atraindo investidores devido à demanda global por minerais utilizados em setores como energia, tecnologia e indústria.
No caso do projeto em Jordânia, o investimento estimado é de R$ 700 milhões. A proposta é transformar o recurso mineral da região em um empreendimento de grande porte, com produção voltada ao mercado de grafite.
A expectativa da empresa é que o projeto avance nas próximas etapas de desenvolvimento e licenciamento para, posteriormente, entrar em fase de implantação.
Durante a entrevista à 98 News, Alves destacou que o modelo de fundos permite justamente direcionar capital para projetos que exigem grandes volumes de recursos e uma perspectiva de investimento de longo prazo, característica comum dos grandes empreendimentos de mineração.
