O reitor da Universidade de São Paulo, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, confirmou que a instituição concederá o título de Doutor Honoris Causa, in memoriam, ao jornalista Vladimir Herzog, morto durante a ditadura militar em 1975. Herzog deu aula no Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da universidade.
“A concessão do título pela USP é um gesto de reparação histórica e um tributo a um professor cuja carreira foi interrompida pela ditadura. É também um reconhecimento à sua atuação como jornalista e comunicador, bem como ao seu compromisso com a comunicação pública, a liberdade de expressão e a defesa dos direitos humanos”, afirma trecho do ofício enviado pelo reitor ao filho do jornalista, Ivo Herzog, com data de 7 de abril.
A honraria já havia sido aprovada pelo Conselho Universitário da USP em fevereiro, mas ainda não há definição sobre a data da cerimônia.
Herzog foi morto em uma cela do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão do regime militar conhecido por práticas de tortura. Na época, sua morte foi falsamente registrada como suicídio, versão posteriormente desmentida.
Nascido em 1937, na cidade de Osijek, então parte da Iugoslávia (atual Croácia), Herzog se naturalizou brasileiro e iniciou sua carreira jornalística em 1959. Em 1975, ocupava a direção de jornalismo da TV Cultura, após passagens por veículos como o jornal O Estado de S. Paulo, a revista Visão e a BBC, em Londres. Ele também atuou como professor de telejornalismo na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).
*Com Agência Brasil
