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‘O estudante não verbaliza o que está acontecendo’: o que fazer quando seu filho sofre bullying e não fala

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Bullying em Minas Gerais: o que um colégio de BH faz para combater o problema que atinge 1 em cada 4 estudantes mineiros (foto: Freepik)

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Quase um em cada quatro estudantes mineiros entre 13 e 17 anos já foi alvo de bullying — e o número só cresce. No Dia Nacional de Combate ao Bullying, celebrado nesta terça-feira (8/4), o Colégio Bernoulli Unidade Cidade Jardim, em Belo Horizonte, encerra uma semana de ações educativas com alunos do 4º ano do Ensino Fundamental à 2ª série do Ensino Médio. A diretora Fernanda Queiroga explica como a escola enfrenta o problema que a pesquisa do IBGE revelou estar se tornando não apenas mais frequente, mas mais intenso no país.

O cenário que preocupa: MG acima da média nacional

Os dados da 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgados pelo IBGE, colocam Minas Gerais em situação de alerta. O índice de estudantes mineiros vítimas de bullying saltou de 22,1%, em 2019, para 28,3% em 2024. Entre as meninas, o número chega a 31,1%.

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No Brasil, o quadro é ainda mais grave: 39,8% dos alunos entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying. E a violência não só persiste — ela se aprofunda. Embora o número total de vítimas tenha registrado uma variação de 0,7 ponto percentual desde 2019, a frequência das agressões aumentou, indicando uma tendência de episódios mais repetitivos e intensos.

Os números nacionais revelam ainda um padrão de desigualdade:

  • Gênero: as meninas são as mais afetadas, com 43,3% relatando sofrer bullying, contra 37,3% dos meninos
  • Motivações: 30,2% dos casos envolvem a aparência do rosto ou cabelo; 24,7% o corpo; e 10,6% questões de cor ou raça
  • Persistência: 27,2% dos estudantes foram humilhados duas ou mais vezes
  • Agressão física: 16,6% dos alunos já foram agredidos fisicamente por colegas

Para a diretora Fernanda Queiroga, os números reforçam a urgência de tratar o tema de forma permanente. “Os dados chamam a atenção e revelam um cenário social que exige atenção redobrada, escuta ativa e ações preventivas contínuas”, afirma.

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Da Educação Infantil ao Ensino Médio: uma abordagem para cada fase

A resposta do Bernoulli não é uniforme — e isso é intencional. Fernanda explica que a linguagem e as estratégias mudam conforme a maturidade de cada faixa etária.

“Na Educação Infantil, o foco está no desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como aprender a compartilhar, esperar a vez e reconhecer sentimentos. No Ensino Fundamental, as conversas passam a abordar mais diretamente o respeito às diferenças e as consequências das atitudes. Já no Ensino Médio, o diálogo é mais reflexivo, envolvendo discussões sobre empatia, responsabilidade individual e coletiva e o impacto das ações, inclusive no ambiente digital”, detalha a diretora.

Simulações com IA e redação: o bullying como tema de aula

As ações desta semana vão além das palestras. Nas aulas de socioemocional do 9º ano, os estudantes participaram de uma atividade prática em que simularam situações reais de bullying e cyberbullying em interações digitais, com tablets e inteligência artificial como mediadora de conflitos, com base na comunicação não violenta. Ao final, a turma fez uma análise coletiva sobre o impacto das palavras.

“O tema também está presente nas aulas de redação, em que o bullying se transforma em proposta de produção textual, estimulando reflexão crítica e empatia”, conta Fernanda.

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Sinais que pais e educadores não devem ignorar

Muitas vítimas não falam. Por vergonha, medo ou por não saber como explicar, o sofrimento fica em silêncio — e se manifesta de outras formas. Segundo Fernanda Queiroga, os principais sinais de alerta são:

  • Isolamento e irritabilidade sem motivo aparente
  • Queda no rendimento escolar
  • Choro frequente e alterações no sono
  • Ansiedade e resistência em ir para a escola

“Por isso, a escuta atenta de educadores e familiares faz toda a diferença”, reforça a diretora.

Cyberbullying: quando o conflito nasce fora, mas dói dentro

A pesquisa revela uma desconexão entre quem sofre e quem pratica a violência: enquanto 13,7% dos jovens admitem ser autores de bullying, os motivos declarados por eles nem sempre são percebidos da mesma forma pelas vítimas. No ambiente digital, esse silêncio se aprofunda.

Para o Bernoulli, o que acontece nas redes sociais não fica do lado de fora do portão. “Embora muitas situações ocorram fora da escola, seus impactos aparecem dentro dela. Quando a equipe identifica que um conflito digital está afetando os estudantes, a abordagem envolve diálogo, orientação e mediação com os envolvidos e suas famílias”, explica Fernanda.

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A escola também trabalha educação digital de forma preventiva, discutindo responsabilidade, ética e convivência no ambiente online.

O conselho para os pais: ouça antes de agir

Para famílias que suspeitam que o filho está sendo vítima — mas não sabem como começar a conversa — Fernanda tem uma orientação direta:

“O mais importante é criar um espaço seguro de conversa, sem julgamentos ou pressão. Demonstrar disponibilidade para ouvir, fazer perguntas abertas e observar mudanças de comportamento ajuda a criança ou adolescente a se sentir acolhido. E, ao menor sinal de que algo não vai bem, é fundamental procurar a escola para que essa rede de apoio atue em conjunto.”

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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