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Vídeo de moto ‘voando’ em acidente no Tocantins é real ou IA? Especialista explica

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Os vídeos publicados nas redes mostram o colapso da ponte JK em dezembro de 2024. (Foto: Reprodução)

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Vídeos da queda da ponte JK no fim de 2024 voltaram a circular nesta semana após a divulgação de novas imagens do acidente na estrutura que liga Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA). Os registros mostram o momento em que caminhões e uma moto parecem ser “arremessados”.

O movimento da motocicleta, que aparenta “voar”, levantou dúvidas sobre a veracidade do vídeo. E sim, a reportagem apurou que as imagens são reais, e o efeito visual pode ser explicado pela física.

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De acordo com o professor e graduando em física pela PUC Minas, Caio Apolinário da Fonseca, o fenômeno está relacionado à forma como a estrutura cedeu. Pelas imagens, a parte central da ponte se rompe e faz com que diferentes trechos caiam em tempos e velocidades diferentes.

Segundo Fonseca, uma dessas partes se desprende quase em queda livre, e a motocicleta estava justamente nesse trecho. Quando o solo desaparece sob o veículo, surge a impressão de que ele está flutuando.

O professor explica que a resposta está nas leis de Newton, mais especificamente no princípio da inércia, segundo o qual um corpo tende a manter seu estado de movimento. Como a moto estava em deslocamento, continuou em linha reta mesmo após perder o contato com a ponte.

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Caio comparou o comportamento a uma bolinha lançada sobre uma superfície.

“Quando você joga uma bolinha, por exemplo, ela não vai chegar na ponta (da mesa) e cair reto. Ela vai cair formando o que a gente chama de parábola. A moto fez a mesma coisa. Só que ali a ponte caiu muito rápido”, pontuou.

Outro fator que contribui para a percepção é o referencial da câmera, instalada em um caminhão que também começa a cair com a estrutura. Como a motocicleta estava em movimento e em um trecho que cedeu mais rapidamente, o contraste reforça a sensação de “salto”.

Além disso, a diferença de massa entre os veículos influencia na dinâmica da queda. Caminhões e carros, mais pesados, acompanham de forma mais imediata o colapso, enquanto a moto, mais leve e em movimento, apresenta um leve atraso.

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“Os outros corpos são muito mais massivos […] o próprio movimento retilíneo colabora para que ela (a moto) tenha uma certa resistência ao cair. Novamente, é a mesma coisa se empurrar a bolinha na mesa, ela não cai reta, ela vai fazer um uma parábola. Só que no caso da moto, ela perdeu o chão. Então parece que ela voou, mas ela não voou não”, finalizou.

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Ludmila Souza

Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). É fotógrafa e amante de narrativas visuais.

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