A greve dos coletores de lixo de Belo Horizonte chegou ao fim nesta quarta-feira (21/1) com o estabelecimento de um acordo entre os trabalhadores e a Sistemma Serviços Urbanos, terceirizada responsável pela prestação do serviço em parte da cidade.
A paralisação, iniciada na última segunda-feira (19/1), prejudicou a coleta de lixo em bairros das regiões Leste, Nordeste e Noroeste de BH. Com o acordo, o serviço volta ao normal ainda hoje.
Segundo o coletor Hugo Santos, um dos representantes do movimento, o sentimento após a definição é de vitória. “A gente tá aqui há dias, guerreando para ter esse reconhecimento de quase 15 anos, e graças a Deus saímos vitoriosos”, diz.
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A prioridade agora, segundo ele, é colocar o serviço em dia e recolher as toneladas de resíduos acumulados nas calçadas durante os dias de paralisação.
Em nota, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) afirmou que o serviço de coleta “encontra-se totalmente restabelecido em toda a cidade” e que o lixo acumulado “será recolhido no menor prazo possível por meio de um esquema especial”.
Entenda
A mobilização que marcou o primeiro dia de paralisação reuniu mais de 100 coletores na sede da Sistemma e foi motivada por denúncias de precarização das condições de trabalho. Entre as principais reclamações estavam o mau estado dos veículos e o atraso no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Os trabalhadores também relataram a inexistência de convênio médico. “Já aconteceu de um amigo nosso da Sistemma morrer trabalhando, uniformizado, sem nenhum acompanhamento médico. A gente está sendo oprimido, não tem voz nenhuma. Se a gente fala, eles viram as costas para nós”, disse Laender Rodrigues, outro representante dos coletores, em entrevista à Rede 98 na segunda.
O impacto da paralisação foi imediato. Apenas no primeiro dia de greve, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) estimou que cerca de 603 toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas. Em bairros como o Padre Eustáquio, o acúmulo de resíduos causou transtornos a moradores e comerciantes.
Para reduzir os efeitos da greve, a PBH acionou, na terça-feira (20/1), um plano de contingência coordenado pela SLU. A operação emergencial mobilizou 308 garis e 47 caminhões, entre basculantes e compactadores, oriundos de outros contratos e de recursos próprios da autarquia, com o objetivo de garantir a limpeza mínima nas áreas mais afetadas.
Acordo
O desfecho do movimento ocorreu após reuniões mediadas pelo Ministério do Trabalho. A Sistemma Serviços Urbanos aceitou as principais demandas da categoria, comprometendo-se a:
- contratar novos garis e motoristas;
- depositar o FGTS em atraso;
- realizar o conserto imediato dos caminhões;
- implementar convênio médico;
- conceder vale-combustível para os coletores.
Apesar dos avanços, uma das solicitações da classe não foi aceita pela empresa: a estabilidade provisória aos trabalhadores que participaram da greve.
Pelo acordo, a Sistemma poderá demitir funcionários após 45 dias da assinatura do acordo. Em conversa com a reportagem, coletores relataram medo de represália por parte da terceirizada.
O documento ainda aguarda homologação oficial no Ministério do Trabalho, prevista para a tarde desta quarta, com a validação judicial necessária para a plena aplicação. A Rede 98 tenta contato com a Sistemma Serviços Urbanos. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
