A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acende um alerta para a indústria de Minas Gerais, um dos principais estados exportadores do país. Segundo a coordenadora do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter, setores como equipamentos elétricos, ardósia e pedras preciosas estão entre os mais vulneráveis ao aumento das taxas.
Em entrevista à 98 News nesta quinta-feira (16/7), Verônica explicou que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial de Minas Gerais, atrás apenas da China, e têm papel relevante na pauta de exportações do estado.
“Os Estados Unidos representam o nosso segundo parceiro comercial, então é um parceiro relevante para a pauta comercial mineira”, afirmou.
Apesar da preocupação, a coordenadora destacou que um dos principais produtos exportados por Minas, o ferro-gusa, foi incluído na lista de isenção da nova resolução e não será atingido pela tarifa adicional. O setor tinha sido inicialmente incluído entre os produtos afetados.
Por outro lado, outros segmentos ainda devem sentir os efeitos da medida. Produtos como equipamentos elétricos, ardósia e pedras preciosas, que têm o mercado americano como destino importante, podem enfrentar dificuldades com o aumento dos custos e possíveis renegociações de contratos.
Impacto no PIB e nos empregos
Ainda não há uma estimativa oficial sobre o impacto da tarifa no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. Segundo Verônica, o efeito dependerá da capacidade de adaptação das empresas, da busca por novos mercados e da reorganização de cada setor.
“Cada setor tem alternativas possíveis para buscar em razão desse novo cenário”, explicou.
Sobre o mercado de trabalho, a coordenadora afirmou que a indústria mineira pode sofrer reflexos caso a tarifa seja mantida por um período prolongado. Ela lembrou que, em medidas semelhantes adotadas anteriormente, alguns segmentos chegaram a registrar férias coletivas e redução de postos de trabalho.
“É possível que tenha sim um impacto para alguns setores da indústria”, disse.
Regiões podem sentir efeitos diferentes
A distribuição dos impactos deve variar conforme os produtos exportados por cada região. Segundo Verônica, não existe uma área única mais ameaçada, já que Minas Gerais possui diferentes polos industriais ligados a setores distintos.
Ela citou que regiões produtoras de pedras preciosas, equipamentos e produtos ligados ao agronegócio podem sentir os efeitos da tarifa, dependendo da dependência do mercado norte-americano.
Indústria busca diversificação de mercados
Caso a sobretaxa permaneça, a orientação da Fiemg é que as empresas busquem alternativas para reduzir a dependência dos Estados Unidos.
Verônica destacou que a entidade oferece estudos de mercado para auxiliar as indústrias na identificação de novos destinos para seus produtos, mas ressaltou que a mudança pode exigir tempo e adaptações.
“Se o produto já é direcionado e fabricado para os Estados Unidos, a empresa vai precisar rever processos. Tudo isso precisa ser analisado para que tenha uma diversificação”, afirmou.
Para a coordenadora, a estratégia é entender as particularidades de cada segmento e encontrar novos mercados capazes de absorver a produção mineira diante do novo cenário comercial.
