O Brasil entrou oficialmente para a seleta lista de países que produzem caças supersônicos. Nesta quarta-feira (25/3), o primeiro F-39 E Gripen fabricado em território nacional foi apresentado na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, Geraldo Alckmin, que batizaram a aeronave, além de diversas autoridades da Força Aérea Brasileira (FAB) e ministros de Estado.
O desenvolvimento do caça nacional é fruto de uma forte parceria estratégica entre a Embraer e a fabricante sueca Saab. Esse avanço tecnológico ocorre por meio do programa de transferência de tecnologia, previsto no contrato assinado pelo governo brasileiro em 2014. Na época, o acordo estabeleceu a compra de 36 aviões desse modelo, equipado com sistemas avançados de combate, para a modernização da frota da FAB.
A cerimônia de apresentação do caça contou com o batismo das autoridades presentes no evento. Como tradição no meio da aviação, pessoas ligadas à fabricação da aeronave jogam champanhe no novo modelo.
Inovação e marco histórico
Durante o evento, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, destacou que a fábrica de Gavião Peixoto é um verdadeiro centro de inovação. Segundo o executivo, o local abriga a maior pista de pouso do hemisfério sul e concentra o desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo o eVTOL, o carro voador elétrico da subsidiária Eve. Dessa forma, a produção do Gripen fortalece a capacidade técnica do país e abre portas para futuras exportações em mercados exigentes, como a Colômbia.
Pelo lado europeu, o diretor executivo e CEO da Saab, Bengt Micael Johansson, celebrou a colaboração mútua. Ele ressaltou que a montagem da aeronave no Brasil demonstra a força e a maturidade da indústria nacional. Além disso, o executivo lembrou que esta é a primeira vez, desde 1937, que esses aviões de combate são fabricados fora do território sueco. O presidente Lula, apesar de participar do batismo, optou por não discursar na cerimônia.
Linha de montagem e impacto econômico
O acordo prevê que pelo menos 15 aeronaves Gripen sejam fabricadas inteiramente no Brasil. Para que isso fosse possível, o programa de transferência de tecnologia contou com a participação direta de 300 engenheiros brasileiros, que passaram por um rigoroso treinamento na sede da Saab, na cidade de Linköping. Além do modelo tradicional de um assento, o projeto brasileiro também inclui o desenvolvimento da versão biposto, denominada F-39F.
Atualmente, a linha de produção brasileira do Gripen é a única operando fora da Suécia e envolve o trabalho de pelo menos 200 profissionais. A montagem do caça, que possui cerca de 22.500 itens, é dividida em três fases: estrutural, final e preparação para voo. As peças chegam tanto da unidade da Saab em São Bernardo do Campo (SP) quanto diretamente da Europa, para então receberem a integração de sistemas avançados, como radares e equipamentos de guerra eletrônica.
Por fim, os ministros presentes reforçaram o impacto econômico do projeto para o país. O ministro da Defesa, José Múcio, classificou o programa como o maior acordo de cooperação da história da FAB, com grande potencial para a balança de exportações. Em seguida, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que a indústria de defesa lidera a vanguarda da inovação nacional. Ele lembrou que o BNDES disponibiliza R$ 108 bilhões em linhas de financiamento para impulsionar o setor e apoiar projetos sustentáveis.
