Com o objetivo de assegurar direitos e condições humanitárias aos profissionais, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) firmou o Pacto do Trabalho Decente no setor têxtil e da moda. O termo foi definido em conjunto com representantes de entidades de trabalhadores, da indústria e da Superintendência Regional do Trabalho. Dessa forma, a iniciativa busca combater o histórico de irregularidades e promover um ambiente corporativo mais seguro e alinhado às normas legais vigentes no país.
“Todo o setor trabalhará daqui para a frente para estabelecer práticas que valorizem o trabalho seguro e decente em toda a cadeia produtiva da moda e do vestuário. Valorizando as boas práticas trabalhistas, sempre com a supervisão e o acompanhamento do Ministério do Trabalho para que a gente possa ter o setor devidamente obedecendo e fazendo as práticas corretas”, explicou o superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans.
Consequentemente, o acordo pretende erradicar a exploração na cadeia de produção estadual. Calazans reconheceu a existência de oficinas que ainda desrespeitam as normas, mas ressaltou que representam uma parcela minoritária e garantiu atuação rigorosa para impedir novos casos. Por fim, a organização confirmou que promoverá novos encontros nos próximos meses com a expectativa de contar com a presença efetiva e contínua do Ministério do Trabalho nas reuniões.
O combate ao trabalho escravo em Minas Gerais
A indústria têxtil acumula registros globais e nacionais de exploração. Na última semana, autoridades resgataram imigrantes bolivianos em condições análogas à escravidão em oficinas de Contagem e Betim, onde cumpriam jornadas de 68 horas semanais e sofriam descontos que configuravam servidão por dívida. Além disso, os relatórios apontam que o estado mineiro lidera as estatísticas nacionais, contabilizando mais de mil resgatados nos últimos dois anos. Portanto, a nova articulação institucional surge como resposta direta para coibir essas práticas criminosas na região.
“De novo, Minas Gerais aparece em primeiro lugar. E eu sempre digo: não é porque Minas Gerais tem mais trabalho escravo no Brasil. Não é verdade. Significa que nós é que estamos trabalhando muito, porque o contrário seria verdadeiro. Se eu não estivesse junto com a minha equipe trabalhando tanto, talvez nós não resgataríamos tantas pessoas como nós resgatamos nos últimos dois anos, praticamente uma por dia. Vou levar para todas as autoridades a lista suja do trabalho análogo à escravidão em Minas para que isso não ocorra, para a gente fazer toda uma campanha e tentar ficar livre dessa chaga”, disse Calazans.
