O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou uma crise diplomática mundial nesta terça-feira (7/4) ao declarar que “uma civilização inteira morrerá” em meio à guerra contra o Irã. Dessa forma, a grave ameaça bélica provocou reações imediatas e notas de repúdio de líderes internacionais, organizações globais e políticos de diferentes frentes do próprio país norte-americano.
A polêmica declaração ocorreu após o líder estadunidense estabelecer um ultimato para que o governo iraniano reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de comércio de petróleo. O prazo expira às 21h (horário de Brasília) de hoje. Consequentemente, Trump publicou que, embora não deseje iniciar um ataque, a destruição em massa provavelmente acontecerá caso a nação asiática não atenda às exigências de Washington.
Reações do Irã, da ONU e do Papa
O governo iraniano, por outro lado, respondeu imediatamente às declarações por meio do seu representante nas Organizações das Nações Unidas (ONU), Amir-Saeid Iravani. O diplomata classificou as falas do líder norte-americano como uma incitação a crimes de guerra e a um potencial genocídio. Além disso, ele garantiu que o Irã não ficará de braços cruzados e exercerá o seu direito de autodefesa com medidas recíprocas.
No mesmo cenário global, o secretário-geral da ONU, António Guterres, demonstrou profunda preocupação com a possibilidade de uma população inteira arcar com as consequências de decisões militares. O Papa Leão XIV, por sua vez, engrossou as críticas durante uma coletiva de imprensa no Vaticano. O pontífice chamou a intimidação contra o povo de “inaceitável”, ressaltando que eventuais ataques à infraestrutura civil violam o direito internacional e configuram uma grave questão moral.
Repercussão política nos Estados Unidos
Dentro dos Estados Unidos, a declaração enfrentou resistência até mesmo entre políticos aliados e conservadores. O senador republicano Ron Johnson afirmou publicamente que reprova a ideia de um bombardeio contra alvos civis iranianos. Somado a isso, o influente podcaster Tucker Carlson alertou que as autoridades do país devem resistir a qualquer ação militar que culmine na morte massiva de inocentes.
A oposição democrata também subiu o tom contra o presidente no Congresso. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou Trump como uma pessoa “extremamente doente” ao comentar as ameaças. Paralelamente, a liderança do partido na Câmara, portanto, convocou o retorno imediato dos parlamentares a Washington com o objetivo de forçar uma votação pelo fim oficial do conflito armado.
Por fim, a ex-vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, utilizou a rede social X para classificar a postura do atual mandatário como “abominável”. A democrata acusou Trump de iniciar uma guerra desastrosa sem possuir uma estratégia para encerrá-la. Ela completou dizendo que a atitude coloca militares estadunidenses em perigo, encarece o custo de vida interno destrói a imagem do país perante a comunidade internacional.
