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‘Eles precisam comer e beber água’, diz voluntária em Juiz de Fora

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A cozinha do curso de Nutrição da Universidade Estácio de Sá se transformou em base emergencial para a produção de marmitas (CBMMG + 98 News)

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Em meio ao cenário de destruição provocado pelas fortes chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, uma mobilização de estudantes tem levado alimento e apoio a famílias atingidas em diversos bairros da cidade. A cozinha do curso de Nutrição da Universidade Estácio de Sá se transformou em base emergencial para a produção de marmitas distribuídas a moradores que perderam casas, móveis e mantimentos.

A ação é organizada pela atlética do curso. Em entrevista à 98 News, a representante Letícia Nóbrega relatou que, na noite anterior, os voluntários conseguiram preparar e distribuir 150 marmitas, além de roupas, calçados e água potável. O trabalho, no entanto, foi marcado por dificuldades de acesso e por novos temporais que agravaram a situação.

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Segundo Letícia, as marmitas ficaram prontas por volta das 18h30. Pouco depois, uma nova chuva intensa tornou áreas como Parque Bournier e Jardim Esperança praticamente inacessíveis. Os voluntários se dividiram em cinco carros para tentar alcançar o maior número possível de pessoas. Parte da equipe seguiu para outros pontos críticos, como Linhares e Santa Rita, onde escolas passaram a abrigar desalojados.

“O que a gente vê é um cenário de guerra”, descreveu. Ruas cobertas por lama, móveis destruídos espalhados pelas calçadas e moradores tentando limpar casas e comércios compõem a paisagem. Em alguns trechos, o acesso só era possível por motocicletas. Motoboys que circulavam pelas áreas afetadas ajudaram no transporte das marmitas até locais onde os carros não conseguiam passar.

Em uma das escolas que servem de abrigo, Letícia contou que presenciou a angústia de uma criança que perguntava à mãe a que horas poderia voltar para casa. “Ela estava com a roupa molhada e queria só tomar um banho. A mãe não tinha o que responder”, relatou.

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A situação voltou a se agravar nas primeiras horas da manhã, quando a chuva retornou. De acordo com a estudante, a água subiu novamente e comprometeu o esforço de limpeza feito por moradores no dia anterior. Móveis que haviam sido organizados nas calçadas foram arrastados, entupindo bueiros e espalhando ainda mais sujeira pelas ruas. “É muito barro, muita lama. Só com rodo e vassoura eles não conseguem”, afirmou.

A mobilização começou no dia seguinte à primeira tempestade de grande impacto. Sensibilizada pelas imagens de destruição, Letícia gravou um vídeo convocando colegas e a comunidade. Em menos de uma hora, as primeiras doações de roupas já chegavam à faculdade. Com a arrecadação de recursos via transferências por Pix, o grupo decidiu investir na produção de refeições prontas, diante da dificuldade de muitas famílias em cozinhar.

No início, apenas três pessoas estavam na cozinha. Com o avanço da mobilização, outros alunos se juntaram ao preparo e à logística de distribuição. Muitos estudantes também atuam na limpeza de bairros atingidos.

Neste momento, a principal necessidade apontada pelos voluntários é a doação de produtos de limpeza, itens de higiene pessoal e roupas íntimas. As doações podem ser entregues na unidade localizada na Avenida Presidente João Goulart, 600, no bairro onde fica o Carrefour, no primeiro andar, em uma sala destinada ao recebimento e triagem dos materiais. Paróquias e escolas da cidade também funcionam como pontos de arrecadação.

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Para quem está fora de Juiz de Fora, a orientação é buscar campanhas de organizações e influenciadores que estejam divulgando chaves Pix destinadas à compra de suprimentos. A própria atlética também disponibiliza chave para doações financeiras, que são revertidas na aquisição de alimentos e materiais de maior urgência.

“A realidade é assustadora, mas a gente precisa continuar. Eles precisam comer, precisam beber água”, reforçou Letícia, ao pedir que a população siga colaborando enquanto as chuvas persistem e o trabalho de recuperação avança lentamente na cidade.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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