O crescimento imobiliário nas regiões de Vila da Serra, Vale do Sereno e Vale dos Cristais voltou a ser tema de debate em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Durante audiência pública na Câmara Municipal, moradores e representantes de associações questionaram os impactos de novos empreendimentos, entre eles o Green Valley, da Patrimar, e o Madison.
A principal preocupação apresentada durante a audiência foi com a mobilidade. Os participantes alertaram que o aumento no número de moradores e veículos pode agravar os problemas de trânsito já enfrentados na região, especialmente nos deslocamentos entre Nova Lima e Belo Horizonte.
Também foram levantadas preocupações sobre o ritmo de expansão urbana e a capacidade do poder público de acompanhar o adensamento com investimentos em infraestrutura, principalmente no sistema viário.
Representante dos moradores do Vila da Serra, Jamil Roiz de Paiva afirmou que o crescimento populacional de Nova Lima não teria sido acompanhado pelo planejamento necessário para garantir a infraestrutura adequada.
“Enquanto Belo Horizonte, por exemplo, tinha 2.340.000 habitantes no ano de 2000 e 26 anos depois, hoje, tem 2.450.000, não cresceu nem 5%. Nova Lima simplesmente duplicou o número de habitantes. Num adensamento irresponsável que passou ao largo de qualquer coisa que se possa pensar em termos de organização e urbanismo. Adensamento e mobilidade é uma questão”, afirmou.
No Vale dos Cristais, a discussão também envolve o cumprimento de um acordo judicial relacionado às obras e à infraestrutura da região. Wellington Inácio, presidente da Associação Geral do Vale dos Cristais, questionou se é prudente permitir o avanço de um empreendimento de grande porte enquanto o Ministério Público ainda investiga o cumprimento do acordo.
“Até que eu faço, se é prudente permitir que um empreendimento dessa dimensão avance enquanto o próprio Ministério Público ainda investiga e se o Acordo Judicial, que deveria disciplinar, foi integralmente cumprido”, afirmou.
Segundo Inácio, o empreendimento deveria permanecer suspenso até que as questões relacionadas ao acordo fossem esclarecidas. Ele também defendeu que a discussão seja tratada como uma questão de legalidade, e não como um conflito entre moradores e empreendedores.
“A gente não pede que a Câmara escolha entre moradores e entre empreendedores, a gente pede que a Câmara e o Poder Público de modo geral escolha pela legalidade”, disse.
O representante acrescentou que, na avaliação da associação, o cumprimento integral das obrigações previstas para o Vale dos Cristais poderia evitar parte dos questionamentos judiciais que envolvem a região.
As manifestações apresentadas na audiência representam as posições dos moradores e das associações participantes do debate. Questões relacionadas ao cumprimento de acordos judiciais, licenciamento e regularidade dos empreendimentos dependem da análise dos órgãos públicos e das autoridades competentes.
Leia a nota da Patrimar na íntegra:
“Respeitamos e reconhecemos a importância das discussões promovidas pelo Poder Legislativo e pelo Município de Nova Lima em prol do desenvolvimento urbano da região.
No entanto, esclarecemos que a audiência pública realizada não foi direcionada especificamente aos nossos empreendimentos. A companhia esteve representada no encontro por membros das associações da região, que acompanharam todas as discussões.
Reafirmamos nosso respeito às instituições presentes no encontro e nosso compromisso com o diálogo com a sociedade. Reforçamos, ainda, nossa transparência em todos os processos de licenciamento e aprovação de nossos empreendimentos, conduzidos em estrita conformidade com a legislação vigente e as normas aplicáveis.”
