O setor produtivo de Minas Gerais amanhece nesta segunda-feira (23/2) sob o alerta de um novo e desafiador cenário econômico internacional. A Fiemg (Federação das Indústridas do Estado de Minas Gerais) acompanha de perto e com atenção o recente anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pretende assinar um decreto estabelecendo uma tarifa global de 15% sobre as importações de todos os países. A medida comercial internacional encontra sua base jurídica na Seção 122 da legislação norte-americana.
“Primeiro, o cenário anda muito volátil, né? A gente estava celebrando a queda das tarifas, né? Por uma decisão da Suprema Corte, que seria extremamente positivo para vários segmentos industriais e agora surpreendidos aí com o novo aumento, mas é um aumento menor. Então, se você for olhar a situação atual ver essa situação anterior, ainda melhorou para vários segmentos industriais”, diz Roscoe.
“E vamos ter que que avaliar os impactos agora, porque é uma decisão muito recente, não teve uma avaliação ainda profunda. A gente tava avaliando a anterior, ela era mais fácil, porque vários iam ter suas alíquotas retornadas ao patamar normal, né? E agora nós vamos ver como e quem será impactado pelas novas tarifas, e quais medidas diplomáticas podem ser tomadas ou não.”
O movimento geopolítico e econômico acontece logo após uma forte derrota do governo na Justiça americana. Na última sexta-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos tomou a decisão de derrubar as tarifas amplas que haviam sido impostas anteriormente pelo governo com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. No entanto, contrariando o entendimento judicial, Trump declarou publicamente que as tarifas anteriores continuam operando em “plena força” e já indicou que a nova sobretaxa de 15% tem potencial para entrar em vigor em um curto espaço de tempo.
Para a indústria mineira, a concretização de uma tarifa global deste porte amplia consideravelmente a instabilidade no mercado exterior, com potencial direto de impactar os produtos do Brasil que são exportados para os Estados Unidos. As consequências de uma taxação generalizada afetam diretamente a cadeia produtiva, comprometendo o planejamento a longo prazo, a execução de contratos firmados e a atração de novos investimentos para o estado.
Apesar do forte impacto, a Fiemg enxerga um atenuante na forma como a proposta foi estruturada. Como a medida seria aplicada de forma uniforme e igualitária a todos os países exportadores, o Brasil consegue preservar a sua competitividade relativa quando comparado aos demais mercados fornecedores globais. Esse formato linear difere de momentos econômicos anteriores, quando o governo norte-americano aplicou tarifas elevadas que incidiram de maneira mais onerosa e específica sobre os produtos brasileiros, prejudicando a concorrência direta do país.
O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, reforçou a necessidade de estabilidade nas relações comerciais. “O setor produtivo precisa de previsibilidade. Mudanças sucessivas nas regras comerciais geram insegurança e comprometem o ambiente de negócios”, argumentou o dirigente.
Contudo, Roscoe também ponderou sobre o lado competitivo da sobretaxa linear. “Ainda assim, é importante destacar que a aplicação global da tarifa mantém condições isonômicas de concorrência, o que reduz distorções competitivas”. A federação industrial garantiu que continuará monitorando os próximos passos do governo de Trump, sempre defendendo o diálogo diplomático como a melhor via para evitar escaladas prejudiciais ao comércio internacional e proteger as empresas de Minas Gerais.
