O bloqueio da internet no Irã completou 70 dias nesta sexta-feira (8), com a conectividade nacional operando entre 1% e 2% dos níveis considerados normais, segundo a organização de monitoramento NetBlocks.
De acordo com o grupo, esta é a interrupção mais severa já registrada no país, tanto pelo número de pessoas afetadas quanto pela duração do apagão digital.
O diretor da NetBlocks, Alp Toker, afirmou que o processo foi praticamente automatizado pelas autoridades iranianas.
Segundo ele, o sistema funciona como um “botão de desligamento” capaz de cortar o acesso à internet em todo o território nacional.
Governo cita segurança nacional
O governo iraniano afirma que a restrição foi adotada por questões de segurança nacional durante o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel.
O bloqueio praticamente eliminou o acesso da população à internet internacional em um país com mais de 90 milhões de habitantes.
Atualmente, os iranianos conseguem acessar apenas uma rede doméstica paralela, controlada pelo governo e isolada de grande parte dos sites internacionais.
O acesso à internet aberta segue restrito a integrantes do governo e a uma pequena parcela da elite do país.
Especialistas apontam impactos sociais
A NetBlocks afirmou que a limitação do acesso digital prejudica especialmente grupos vulneráveis, como pessoas com deficiência, estudantes, pequenos empresários e cidadãos que dependem da internet para atividades básicas.
Em abril, o governo iraniano anunciou que parte dos professores universitários teria o acesso restabelecido, enquanto o restante da população continuava submetido ao bloqueio.
Regime amplia controle sobre comunicações
Segundo informações divulgadas pela BBC Persian, o governo iraniano também teria intensificado o combate ao uso de conexões via satélite, como o serviço Starlink, proibido no país.
Há relatos de uso de equipamentos conhecidos como “jammers”, utilizados para bloquear sinais de comunicação.
Além disso, forças de segurança passaram a apreender antenas parabólicas em cidades como Teerã, Isfahan e Sanandaj.
A medida indica uma mudança na estratégia do regime, que passou a combinar bloqueios eletrônicos com ações físicas para restringir o acesso da população a meios de comunicação externos.