O sistema de pagamentos instantâneos Pix entrou na lista de preocupações do governo dos Estados Unidos sobre o ambiente de negócios no Brasil. Segundo o relatório anual de barreiras comerciais divulgado pelo país, empresas americanas avaliam que o modelo brasileiro favorece o sistema criado pelo Banco Central do Brasil e pode gerar desvantagem competitiva para operadores privados.
O principal ponto de crítica é a estrutura do Pix. Para os americanos, o fato de o Banco Central atuar ao mesmo tempo como criador, operador e regulador da plataforma, além de exigir sua adoção por instituições financeiras maiores, cria um cenário de “tratamento preferencial” no mercado de pagamentos.
Apesar da insatisfação, os dados do próprio relatório mostram que a relação comercial segue amplamente favorável aos Estados Unidos. Em 2025, o país registrou superávit de US$ 14,4 bilhões na balança de bens com o Brasil, além de um saldo positivo de US$ 26,1 bilhões no setor de serviços.
Impostos, tarifas e reforma tributária
O documento também aponta distorções no sistema tributário brasileiro. Um dos exemplos citados é o setor de bebidas, em que produtos importados enfrentam carga maior que itens nacionais. Enquanto bebidas alcoólicas estrangeiras pagam 19,5% de IPI, a cachaça brasileira é tributada com alíquota menor.
Outro ponto de atrito é o etanol americano, que segue sujeito a tarifa de importação de 18%.
O relatório ainda observa com atenção a reforma tributária brasileira. A previsão de um sistema com CBS e IBS, que pode alcançar alíquotas próximas de 28%, é vista com preocupação por empresas estrangeiras.
Agricultura e restrições comerciais
No campo, os Estados Unidos criticam a manutenção do fechamento do mercado brasileiro para a carne suína americana. O governo brasileiro justifica a medida por riscos sanitários, como a peste suína africana, mas o relatório afirma que a restrição não estaria alinhada a padrões internacionais.
Também são citadas limitações à importação de bens usados e equipamentos remanufaturados, apontadas como barreiras adicionais ao comércio.
Pirataria e ambiente digital
A proteção à propriedade intelectual segue como um ponto sensível. O Brasil permanece na lista de observação dos EUA, com menção direta à Rua 25 de Março como um dos principais polos de produtos falsificados.
No ambiente digital, o relatório destaca preocupação com propostas de regulação que podem ampliar o poder do CADE e permitir multas de até 20% do faturamento global de empresas. A avaliação é de que medidas desse tipo tendem a impactar principalmente companhias americanas.
Também entram na lista restrições da Lei Geral de Proteção de Dados e exigências de conteúdo nacional em serviços de mídia.
Meio ambiente e práticas ilegais
O documento ainda aponta problemas estruturais no controle de atividades ilegais. Estimativas citadas indicam que grande parte da madeira extraída no país, especialmente na Amazônia, tem origem irregular. O mesmo ocorre com o ouro, com participação relevante do garimpo ilegal.
Além disso, os Estados Unidos criticam a ausência de legislação específica que proíba a importação de produtos associados ao trabalho forçado.
