A Comissão Teológica Internacional divulgou nesta quarta-feira (4/3) um documento no qual alerta os cerca de 1,4 bilhão de católicos no mundo sobre os riscos do uso da cirurgia plástica motivada pela vaidade. No texto, aprovado pelo papa Leão XIV, o órgão afirma que a busca por intervenções estéticas pode estimular um “culto ao corpo” e reforçar padrões irreais de perfeição física.
Segundo o documento, os avanços da cirurgia plástica têm impacto direto na forma como as pessoas se relacionam com o próprio corpo. A comissão sustenta que a valorização excessiva da aparência pode levar a uma “busca frenética” por um ideal de juventude e beleza permanente.
Em um dos trechos, o texto ressalta que o envelhecimento não diminui o amor divino. “Jesus continuará a amar você à medida que envelhece, mesmo que tenha algumas rugas no rosto”, diz o texto.
A Igreja Católica defende que o corpo humano é criado à imagem de Deus. Embora não haja proibição formal à realização de cirurgias estéticas, o documento orienta que procedimentos não devem ser feitos exclusivamente para atender à vaidade ou às tendências passageiras.
A advertência integra uma reflexão mais ampla sobre o uso de tecnologias com a promessa de aprimorar a condição humana. No mesmo texto, a comissão também manifesta preocupação com cenários em que a inteligência artificial possa “escapar ao controle da razão humana” e com a possibilidade de pessoas recorrerem a implantes mecânicos em busca de se tornarem semelhantes a “ciborgues”.
Para o órgão consultivo do Vaticano, a lógica de adaptar o corpo “ao gosto do momento” revela uma contradição contemporânea: enquanto se exalta um modelo idealizado de corpo, o corpo real deixa de ser verdadeiramente acolhido e valorizado.
