A deputada federal Duda Salabert (PSOL) acusou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) de ser beneficiado pelo funcionamento dos algoritmos das redes sociais e criticou a postura do parlamentar após as eleições de 2026. Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da 98News, nesta sexta-feira (6/11), Duda afirmou que o alcance das publicações de Nikolas precisa ser investigado e o classificou como o “candidato da Meta”.
A parlamentar também criticou a defesa de um boicote a estabelecimentos comerciais que apoiaram o PT nas eleições. Segundo ela, a proposta seria prejudicial à economia de Minas Gerais, estado que enfrenta dificuldades fiscais.
“O Nikolas não entendeu nada. Como ele não entende nada de política, basta ver como ele está sendo irresponsável após as eleições. Está agindo como uma criança mimada que não sabe perder. Minas Gerais vive numa grande crise econômica. É a pior situação fiscal do Brasil, a de Minas Gerais. E nós temos o deputado federal mais votado desse estado defendendo boicote aos mercados que votaram no PT”, afirmou.
Duda critica proposta de boicote ao comércio
Durante a entrevista, Duda argumentou que o setor de comércio e serviços possui uma participação importante na economia mineira e que estimular boicotes poderia prejudicar empresas e trabalhadores.
A deputada comparou a participação do comércio no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais com a da mineração, utilizando estimativas apresentadas durante a conversa.
“Qual é o impacto do setor de mercado no PIB de Minas Gerais? 12%, 13%. Não é mineração. Mineração é 3%, 4%. Mineração significa quase nada para o PIB de Minas Gerais. O que sustenta parte de Minas Gerais é o setor de serviço e o setor de comércio. Ele quer justamente boicotar 12% do comércio mineiro. Isso é irresponsável”, declarou.
Os percentuais citados são estimativas apresentadas pela parlamentar durante a entrevista.
Deputada questiona alcance das publicações de Nikolas
Duda também levantou suspeitas sobre o alcance das publicações de Nikolas Ferreira nas redes sociais. A deputada afirmou que o engajamento do parlamentar seria desproporcional em comparação ao de artistas e personalidades internacionais.
“Ele é o candidato da Meta. Óbvio que é. Tanto é que a gente está com uma CPI para poder investigar e deixar claro como funciona o algoritmo. Como é que pode um deputadinho de baixo clero, que quase não aprovou nada, na periferia do capitalismo, que é o Brasil, ser mais interessante do que Madonna, do que Cristiano Ronaldo, do que Shakira e outros? Lógico que tem maracutaia aí”, afirmou.
Questionada sobre a possibilidade de o conteúdo de Nikolas simplesmente gerar mais engajamento do que o das personalidades citadas, Duda voltou a defender a investigação dos mecanismos de recomendação das plataformas.
“Engaja mais. E aí a pergunta é por que engaja mais? Esse não é mais interessante do que essas pessoas que eu citei. E quem está dizendo que engaja mais nem sou eu, é a própria Meta. E lógico que ele é o candidato da Meta. Por isso que a CPI vai ser importante para deixar isso claro”, declarou.
A parlamentar relacionou as suspeitas às posições políticas de Nikolas sobre a regulamentação das redes sociais e a atuação das grandes empresas de tecnologia.
“Eu defendo regulamentação das redes sociais, ele é contra, a Meta é contra também. Eu defendo uma maior postura, maior preocupação socioambiental das big techs, porque a inteligência artificial impacta diretamente o nosso consumo de água. Ele não se preocupa, a Meta também não se preocupa”, afirmou.
Duda voltou a questionar a autenticidade do alcance das publicações do deputado e defendeu maior transparência sobre os algoritmos.
“Ali tem maracutaia por trás. É fake, é fake o algoritmo dele. É só ele tornar público. Mostra seu algoritmo aí. Torna público, Nikolas, seu algoritmo. Mostra como é seu engajamento. Ele não vai mostrar porque nós sabemos que é fake, a CPI vai mostrar”, disse.
As declarações representam suspeitas levantadas pela deputada, sem apresentação, durante a entrevista, de provas de manipulação do algoritmo em benefício de Nikolas.
TSE determinou monitoramento de publicações
As declarações de Duda ocorrem após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o alcance de conteúdos políticos durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Em 23 de outubro, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e a plataforma X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance das publicações de Nikolas Ferreira e do influenciador Pablo Marçal.
A decisão atendeu parcialmente a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou favorecimento de conteúdos publicados pelos dois em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Os relatórios deveriam apresentar informações sobre visualizações, origem do público e mecanismos utilizados pelas plataformas para recomendar as publicações.
Na decisão, o ministro ressaltou que os elementos apresentados na ação não comprovavam favorecimento irregular por parte dos algoritmos.
A determinação de monitoramento, portanto, não representou uma conclusão judicial de que as plataformas manipularam o alcance das publicações de Nikolas Ferreira.