A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) colocou em prática, nesta terça-feira (20/1), um plano de contingência para minimizar os impactos da greve dos coletores de lixo na capital. A ação é coordenada pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). O foco, explica o Executivo, é garantir a coleta de resíduos nos bairros mais afetados.
Segundo a SLU, foram mobilizados 308 garis e 47 caminhões para a operação emergencial. Do total, 38 veículos são caminhões basculantes e nove são compactadores. As equipes já atuam nas regiões Leste, Nordeste e Noroeste de Belo Horizonte.
Os recursos utilizados vêm de outros contratos de limpeza urbana e da própria autarquia.
Entenda
A paralisação envolve trabalhadores da empresa Sistemma Serviços Urbanos, responsável pelo trabalho em parte da cidade. A mobilização ocorre em protesto por melhores condições de trabalho. Entre as reivindicações estão reajuste salarial, pagamento de benefícios e melhorias na jornada. Os trabalhadores afirmam enfrentar atrasos e precarização no serviço.
“Ela [Sistemma] não está dando nenhuma condição de trabalho para nós”, denunciou Laender Rodrigues, um dos representantes do movimento, à Rede 98 nessa segunda (19/1). “Quando o caminhão estraga, a gente não tem horário para pegar e nem para largar. Muitas vezes a gente acaba saindo meia-noite, nove horas da noite, entrando em rota duas horas da tarde. Estamos trabalhando com três coletores, sendo que pela SLU é proibido trabalhar assim”, acrescentou.
A classe também pede a garantia de um convênio médico. “Já aconteceu de um amigo nosso da Sistemma morrer trabalhando, uniformizado, sem nenhum acompanhamento médico. A gente está sendo oprimido, não tem voz nenhuma. Se a gente fala, eles viram as costas para nós”, apontou o coletor.
De acordo com a estimativa oficial, cerca de 602,75 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas apenas nessa segunda-feira (19/1). O acúmulo de lixo motivou a adoção do plano emergencial. A prefeitura avalia diariamente os impactos da paralisação. A expectativa é reduzir transtornos até a normalização do serviço.
A SLU afirma estar em dia com todas as obrigações contratuais. Já a prefeitura informou que segue acompanhando as negociações entre os trabalhadores e a empresa terceirizada. A reportagem tenta contato com a Sistemma. Assim que houver, a matéria será atualizada. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
