O deputado estadual reeleito Gustavo Valadares (PSD) afirmou que não vê, neste momento, motivo para o partido começar o governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos) como oposição. A bancada do PSD se reúne nesta terça-feira (20) para discutir a relação com a nova gestão, que começa em janeiro.
Em entrevista à 98 News, Valadares defendeu que o partido dê inicialmente um “voto de confiança” ao governador eleito. O PSD integrou a base dos governos de Romeu Zema e Mateus Simões.
“De pronto, eu posso te falar que não vejo neste momento necessidade da gente se colocar como oposição. Eu acho que é o momento de darmos um voto de confiança. Então eu, nesse primeiro momento, não acho que a gente vai entrar para fazer oposição, não”, afirmou.
Valadares foi secretário de Governo na gestão de Romeu Zema e retorna à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para o sétimo mandato.
Negociação deve continuar individualizada
Na avaliação do deputado, o posicionamento formal de um partido em relação ao governo não significa, necessariamente, que toda a bancada votará da mesma forma na Assembleia.
Segundo Valadares, a articulação política na Casa tem se tornado cada vez menos concentrada nas legendas e mais voltada à negociação direta com cada parlamentar.
“De uns anos para cá, essa negociação já passou a ser muito menos partidária e muito mais individual. Já tem um tempo que é assim. Obviamente isso traz muito mais trabalho, é muito mais complicado, mas já é uma realidade de algum tempo”, disse.
O deputado citou o próprio PL como exemplo de uma legenda que reúne grupos políticos distintos e afirmou que a próxima gestão deverá manter uma relação direta com os parlamentares.
“Eu acho que vai ter que continuar sendo como foi ao longo dos últimos tempos, um trabalho muito mais individual mesmo, de pé do ouvido, conversando um por um”, completou.
Sucessão no comando da Assembleia
Outra definição da próxima legislatura será a escolha do novo presidente da Assembleia. Para Valadares, o sucessor de Tadeu Martins Leite, o Tadeuzinho (MDB), deve ter capacidade de diálogo com diferentes grupos e preservar a independência da Casa em relação ao Executivo.
“Eu acho que a gente vai ter que ter alguém mais ou menos desse perfil, alguém que dialogue com todo mundo, alguém que não seja governista por si só”, afirmou.
Na avaliação do deputado, a Assembleia passou a trabalhar com maior independência nos últimos anos, sem deixar de manter diálogo com o governo.
“É preciso diálogo, mas mantendo a independência. Então, eu acho que alguém mais ou menos do perfil do Tadeu”, disse.
Valadares afirmou que há tanto deputados mais novos quanto parlamentares experientes com condições de assumir a presidência da Assembleia, mas não apontou um nome favorito para a sucessão.
