Na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um dos discursos mais conservadores desde que anunciou a intenção de concorrer à Presidência do Brasil. No evento, conhecido por reunir nomes da direita conservadora americana, ele se autodefiniu como “Bolsonaro 2.0” e prometeu, caso eleito, combater a “agenda woke”, o “ambientalismo radical” e os “interesses das elites globais”.
“Bolsonaro 2.0”: o filho e a herança política do pai
Flávio abriu o discurso exibindo fotos de quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), visitou o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, em 2019. A partir daí, construiu sua fala em torno da figura paterna — e das batalhas que, segundo ele, Jair travou ao longo do governo.
“Ele lutou contra cartéis de drogas. Ele lutou contra interesses da elite global, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destruiu famílias, mas acima de tudo ele lutou pela liberdade”, afirmou o senador.
Flávio também destacou que seu pai foi o “último líder mundial a reconhecer Joe Biden como presidente” e que manteve aliança com Donald Trump durante o mandato.
Paralelo com Trump e críticas ao governo Lula
O senador traçou um paralelo entre o processo judicial enfrentado pelo pai no Brasil e as acusações que Donald Trump enfrentou nos Estados Unidos.
“A acusação formal é semelhante à que o presidente Donald Trump enfrentou. Mas a verdadeira razão é a mesma. O maior líder político do meu país está preso por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo o que tinha”, disse.
Flávio também fez críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que as mesmas pessoas que prenderam seu pai teriam tirado Lula da prisão e o devolvido à presidência. Em suas palavras:
“As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram este homem, o ex-presidente socialista Lula, condenado várias vezes por corrupção, da prisão e o colocaram de volta na presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro e uma interferência massiva da administração Biden.”
Minerais críticos: Brasil como alternativa à China
Em outro momento do discurso, Flávio Bolsonaro abordou a dependência americana de minerais críticos e terras raras importados da China. Segundo o senador, os EUA dependem da China para cerca de 70% das importações desses produtos, com o país asiático controlando 70% da mineração global e mais de 90% do refino e processamento.
“Por que isso importa? Essas terras raras são essenciais para processadores de computador e a revolução da inteligência artificial que está transformando nosso mundo e o equipamento de defesa americano. Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana se torna impossível”, afirmou.
Flávio destacou o Brasil como solução para reduzir essa dependência dos Estados Unidos em relação à China.
Críticas à política externa de Lula
Ao encerrar o discurso, o senador voltou a criticar o presidente Lula, desta vez com foco na política externa brasileira.
“Lula e seu partido são abertamente antiamericanos. Ele fala publicamente sobre minar o dólar como moeda global. Ele aliou o Brasil à China em grande escala. Ele se opôs aos interesses americanos em todos os itens de política externa”, concluiu Flávio Bolsonaro.
Contexto: discurso moderado no Brasil, tom ideológico nos EUA
O evento ocorre em um momento em que o senador tem tentado adotar um discurso mais moderado no Brasil, buscando atrair o apoio do Centrão e do mercado financeiro. O discurso na CPAC, no entanto, seguiu um tom antissistema e ideologicamente alinhado ao campo conservador internacional.
*Com informações de Agência Estado
