O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista à CNN Brasil, nesta quinta-feira (21), que o governo federal anunciará um novo aumento no bloqueio de gastos do Orçamento de 2026. Segundo ele, a medida será detalhada no relatório bimestral de receitas e despesas, que será divulgado às 15h desta sexta-feira (22).
O bloqueio atual está em R$ 1,6 bilhão, valor considerado abaixo das expectativas do mercado financeiro e até mesmo de integrantes da equipe econômica quando foi anunciado, em março.
Governo fala em ampliar corte para cumprir meta fiscal
Sem antecipar os números que serão apresentados pelo governo, Durigan afirmou que o Executivo precisará endurecer os cortes para manter o compromisso com a meta fiscal.
“A gente não espera um contingenciamento, dado que as receitas têm vindo em linha com o esperado na lei orçamentária, mas um bloqueio em razão de aumento de gasto obrigatório. A gente vai cortar na própria carne”, afirmou o ministro.
Segundo Durigan, a ampliação do bloqueio ocorre para “compatibilizar” as contas públicas com as metas fiscais estabelecidas pelo governo federal.
Ministro critica juros e atribui pressão inflacionária à guerra no Irã
Durante a entrevista, o ministro também comentou o cenário econômico brasileiro e voltou a criticar o atual patamar da taxa de juros no país. Para ele, o problema não está ligado diretamente aos gastos do governo, mas ao contexto internacional, principalmente aos impactos da guerra no Irã sobre a inflação global.
“O desarranjo, insisto, tem vindo do ponto de vista geopolítico, da guerra que tem causado aumento de preço do setor agro-industrial, do setor químico, do próprio setor de combustível, que é o mais diretamente afetado”, declarou.
Governo rebate críticas sobre aumento de gastos
Durigan também negou que o governo esteja promovendo excesso de gastos públicos ou estimulando artificialmente a economia.
Segundo ele, as linhas de crédito anunciadas recentemente têm caráter específico e foram criadas para atender setores mais impactados pelo cenário internacional, como caminhoneiros e motoristas de aplicativo.
“Criamos linhas de créditos específicas para alguns setores que estavam sendo mais impactados [pelo conflito no Oriente Médio]. Eu não acredito que isso vá causar um desarranjo do ponto de vista macroeconômico”, afirmou. ganhou repercussão nacional após discussões sobre tributação de compras internacionais feitas em plataformas estrangeiras.