“A Fiemg não se esquiva de conversar, mas ela acha que o momento não é esse. Esse assunto teria que ser tratado com mais vagar e com mais critério”, afirmou Bruno Melo Lima, presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), ao comentar sobre a proposta de redução da jornada de trabalho.
Durante o Dia da Indústria, celebrado nesta quinta-feira (21), o dirigente manifestou preocupação com o tom político que a discussão pode tomar, defendendo uma análise mais técnica e pragmática sobre os impactos no setor produtivo. “É preciso que haja uma convergência de interesses. Que você tenha condições de encontrar uma conciliação de propostas”, afirma.
Para Lima, a complexidade da indústria brasileira exige que qualquer mudança estrutural na jornada de trabalho seja feita com cautela. Entre os pontos destacados pelo presidente em exercício sobre o tema, estão:
- Momento Inadequado: Ele argumenta que, por se tratar de um período pré-eleitoral, o debate corre o risco de ganhar um cunho puramente político em vez de focar nos aspectos práticos da produção.
- Complexidade do Setor: Lima ressalta que a indústria é heterogênea; enquanto alguns segmentos podem ter condições de absorver a mudança, outros seriam severamente impactados pela inviabilidade operacional.
- Necessidade de Conciliação: O dirigente defende que deve haver uma “convergência de interesses” e uma “conciliação de propósitos” antes de qualquer decisão definitiva, evitando medidas impostas sem diálogo fluido.
- Impacto no Ambiente Empresarial: A discussão é vista como um fator de instabilidade que “mexe com o ambiente empresarial”, dificultando o funcionamento cotidiano das fábricas que já operam sob pressão.
Custo Brasil e os entraves para o crescimento de Minas Gerais
A reflexão sobre a jornada de trabalho ocorre em um cenário já considerado “extremamente complexo” pela federação, marcado por gargalos macroeconômicos que sufocam a competitividade mineira e nacional. Além da escala 6×1, o presidente da Fiemg aponta que o desenvolvimento do estado é freado por uma combinação de fatores negativos que criam um “ambiente hostil aos negócios”.
Entre os desafios listados, destacam-se as taxas de juros elevadas, que tornam investimentos “praticamente impossíveis”, a crise no setor de energia elétrica, que eleva custos operacionais, e o persistente Custo Brasil. A celebração no Minascentro reforçou que, para além das homenagens e recordes do programa Pro Indústria, a superação desses entraves é vital para a geração de emprego e riqueza em Minas Gerais