O governo federal lançou nesta quarta-feira (22/7) a terceira etapa do Plano Brasil Soberano, programa criado para apoiar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, por conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio global. A nova fase contará com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento voltadas à manutenção das exportações, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.
Do total de recursos, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ampliação do programa será feita por meio de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e encaminhada ao Congresso Nacional.
Segundo o governo, as linhas de crédito poderão ser utilizadas para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além da prospecção de novos mercados internacionais.
Lula diz que Brasil transformará crise em oportunidade
Durante a cerimônia de lançamento do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo pretende utilizar o momento de tensão comercial para ampliar a presença do Brasil em outros mercados e reforçar a economia brasileira.
“Nós estamos demonstrando com esse Brasil Soberano III que não há crise que impeça o Brasil de seguir a sua trajetória de continuar uma economia crescendo. […] Ao invés da gente ficar chorando a crise, você precisa tentar encontrar saídas. Nós estamos encontrando mecanismos de negociação, discutindo com muitos países para suprir e até ganhar mais do que aquilo que a gente estava ganhando.”
Lula também afirmou que a decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas fez com que diversos países passassem a buscar novos parceiros comerciais.
“As pessoas estão aprendendo a conversar com outras pessoas. As pessoas estão aprendendo que existem outros mercados, outras pessoas com vontade de comprar e outras pessoas com vontade de vender. A gente não vai ficar lamentando o fato de alguém querer nos prejudicar com taxação. Vamos procurar outra saída.”
Presidente afirma que negociações com EUA continuam
Apesar das críticas ao tarifaço, Lula afirmou que o Brasil continuará tentando negociar com os Estados Unidos e negou que o episódio represente uma ruptura diplomática entre os dois países.
Segundo o presidente, o governo brasileiro já apresentou diferentes propostas de negociação e continuará defendendo que as tarifas não encontram justificativa comercial.
“Nós vamos estar na mesa da negociação com as nossas propostas. Eles é que têm que dizer que não querem negociar. Não tem veto de negociação. Mas nós não vamos ficar chorando o produto que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores.”
Ao comentar as acusações feitas pelo governo norte-americano para justificar a sobretaxa, Lula voltou a afirmar que o Brasil responderá com diálogo.
“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós vamos ganhar porque temos razão e porque vamos continuar na mesa de negociação.”
Alckmin destaca crédito para empresas e recorde nas exportações
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Plano Brasil Soberano III busca preservar empresas e empregos afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Segundo ele, a nova etapa amplia o acesso ao crédito e fortalece a estratégia de diversificação dos mercados internacionais.
“Foi feito o Brasil Soberano para garantir crédito às empresas que perderam mercado, para as empresas afetadas, garantir emprego, permitir que elas se recuperem e conquistem novos mercados.”
Alckmin também destacou que, apesar do cenário internacional, o Brasil registrou recordes nas exportações.
“O Brasil bateu recorde de exportação no ano passado, com 349 bilhões de dólares, e neste primeiro semestre bateu um recorde ainda maior, com 184,8 bilhões de dólares. O Brasil Soberano III é um grande instrumento para fortalecer a economia. Economia forte, soberania forte.”
Programa amplia setores atendidos
Além da indústria, passam a ter acesso às linhas de financiamento exportadores da agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e mineração, além de cooperativas e associações ligadas a essas atividades.
Entre os setores contemplados estão empresas afetadas pelas tarifas norte-americanas sobre aço, alumínio, automóveis, móveis, madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, plásticos, calçados, papel e açúcar. O programa também atenderá segmentos considerados estratégicos, como fertilizantes, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotiva, equipamentos eletrônicos e minerais críticos