A Justiça dos Estados Unidos marcou para 1º de junho de 2027 o julgamento do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. O casal responde a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas e compareceu nesta quarta-feira (22/7) a uma audiência no Tribunal Federal de Manhattan, em Nova York.
Durante a sessão, conduzida pelo juiz federal Alvin Hellerstein, a defesa informou que pretende pedir o arquivamento do processo. O principal argumento é que Maduro teria imunidade por ter exercido a chefia de um Estado soberano.
Os dois se declararam inocentes das acusações.
Defesa quer anular o processo
Além de definir a data do julgamento, o juiz estabeleceu o cronograma para as próximas etapas do caso.
A defesa terá até 2 de setembro para apresentar a primeira rodada de pedidos de anulação do processo. Uma audiência para discutir esses argumentos foi marcada para 17 de novembro.
Segundo o advogado Barry Pollack, a estratégia será baseada na alegação de imunidade de Maduro e na legalidade da operação que resultou em sua captura.
Acusações podem levar à prisão perpétua
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Maduro responde a quatro acusações criminais nos Estados Unidos: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, participação em organização ligada ao tráfico internacional de drogas e uso da estrutura do Estado para facilitar o envio de entorpecentes
Caso seja condenado, o ex-presidente venezuelano poderá cumprir prisão perpétua.
Captura ocorreu em janeiro
Segundo as autoridades norte-americanas, Maduro, de 63 anos, e Cilia Flores, de 69, foram capturados em 3 de janeiro durante uma operação militar realizada em Caracas. A ação foi autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Após a captura, o casal foi levado para Nova York, onde já havia sido denunciado pelo Departamento de Justiça por supostamente utilizar cargos no governo venezuelano para facilitar o transporte de cocaína aos Estados Unidos.
Maduro diz ser “prisioneiro de guerra”
Na primeira audiência do processo, realizada em 5 de janeiro, Nicolás Maduro afirmou ser um “prisioneiro de guerra”. A declaração foi repetida pela defesa ao sustentar que a captura do ex-presidente pode ter violado normas do direito internacional.
O juiz também determinou que uma segunda rodada de moções da defesa seja apresentada até 11 de janeiro de 2027, após a entrega das provas pela acusação.
Relação entre EUA e Venezuela
Maduro governou a Venezuela entre 2013 e sua captura. Durante esse período, manteve uma relação de forte tensão com os Estados Unidos.
O governo norte-americano acusa o ex-presidente de corrupção, fraude eleitoral e envolvimento com o narcotráfico. Já Maduro sempre afirmou que Washington buscava derrubá-lo para ampliar sua influência sobre as reservas de petróleo venezuelanas.
Desde sua captura, a Venezuela passou a ser administrada pela ex-vice-presidente Delcy Rodríguez. Paralelamente, os Estados Unidos flexibilizaram parte das sanções ao setor petrolífero do país, permitindo a ampliação de investimentos estrangeiros na indústria de petróleo e gás.
