O ex-procurador-geral de Justiça e pré-candidato do PSB ao Governo de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, comentou as conversas de bastidores para uma eventual composição com o PT de Patrus Ananias nas Eleições 2026. Em entrevista concedida ao programa Café com Leite, da Rede 98, o jurista indicou que o diálogo entre as legendas de centro-esquerda é natural pela conjuntura nacional, mas ressaltou a necessidade de alinhar as expectativas da chapa proporcional do PSB.
Jarbas lembrou da convivência histórica com o ex-prefeito da capital e apontou que qualquer aliança exigirá conversas profundas com os pré-candidatos a deputado federal e estadual da sigla. A chapa do PSB reúne líderes regionais que somam expressiva votação e buscam preservar a autonomia do partido no estado.
“Eu acho que se eventualmente o nosso partido se aliar à candidatura do professor Patrus Ananias, eles vão precisar de conversar muito com essa chapa, porque não adianta também o PT levar a sigla, mas não levar o partido. Acho que o próprio presidente Alckmin uma hora vai ter que intervir nesse processo. Não posso tomar essa decisão sozinho de ser vice ou senador. O professor Patrus não é um radical, é um democrata, mas tem muita gente que quer estar na nossa candidatura e não quer que estejamos com o PT”, afirmou Jarbas Soares Júnior.
O pré-candidato avaliou que o cenário político mineiro enfrenta uma falta de protagonismo após o enfraquecimento de lideranças tradicionais. Na visão de Jarbas, a ausência de um nome de convergência no Palácio da Liberdade abriu espaço para divisões profundas e dificultou a construção de um projeto de desenvolvimento integrado.
Críticas à gestão Zema-Simões
“O governador Zema não é um líder, ele é um gestor; fez o que pôde no governo, mas não é um líder. E o professor Mateus, que assumiu o governo, ainda não é um líder. Então, há um vácuo de liderança no estado. Esse mito do estado eficiente, nós temos que descobrir o que realmente tem por trás dele. Abandonaram a Polícia Civil, e nós temos que resgatar a capacidade de investigar, senão vamos ficar enxugando gelo e enfrentando o crime organizado com bala, bomba e camburão”, declarou Jarbas Soares Júnior.
Para tentar superar os impasses estruturais, o ex-chefe do Ministério Público defendeu a repactuação urgente da dívida bilionária de Minas com a União. O pré-candidato criticou o clima de rivalidade política entre o governo estadual e o governo federal, afirmando que o embate prejudicou o repasse de verbas federais e o avanço dos acordos de reparação de Brumadinho e Mariana.
Além de cobrar o resgate da inteligência policial para sufocar o crime organizado, Jarbas garantiu que o PSB defenderá investimentos em infraestrutura e se oporá firmemente à privatização da Cemig. Ele apontou, então, que os gargalos no fornecimento de energia elétrica continuam travando novos empreendimentos no interior do estado.
O pré-candidato reiterou que a definição sobre disputar o governo ou compor aliança passará pelas instâncias estaduais e nacionais do PSB. Jarbas disse, portanto, que a prioridade para o próximo período eleitoral é abandonar o discurso ideológico de polarização e focar em soluções práticas para os municípios mineiros.
