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Avanço das energias renováveis exige mais demanda e segurança jurídica, diz diretor da Aliança

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Em entrevista ao Minas Move o Mundo, Carlos Pavanelli analisa o desperdício de energia renovável e a falta de mão de obra no país. (Foto: Aliança Energia/Rede 98)

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A expansão das energias renováveis no Brasil exige uma combinação entre diversificação de fontes, estabilidade nas regras e crescimento da demanda por eletricidade. A avaliação foi feita por Carlos Augusto Pavanelli, diretor de Operação e Engenharia da Aliança Energia, em entrevista ao podcast Minas Move o Mundo. A empresa, criada em 2015 a partir de uma parceria entre Vale e Cemig, conta atualmente com investimento do fundo norte-americano DIP e mantém quase 80% de suas operações em Minas Gerais.

Além das sete usinas hidrelétricas instaladas em território mineiro, a companhia expandiu suas atividades para parques eólicos no Nordeste e atua também na geração solar no Norte do estado. Para o executivo, investir em múltiplos formatos de geração é um passo fundamental para dar sustentabilidade aos negócios no país.

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“A gente é abençoado por Deus. O Brasil tem uma capacidade de produção de energia, seja de que fonte for. E Minas Gerais tá no meio disso tudo, com hidrelétrica, solar e eólica. Diversificar é a solução realmente, até porque no mercado de energia os preços variam muito. É importante não colocar todos os ovos na mesma cesta.”

Desperdício de energia e gargalos no sistema

Durante a entrevista, o diretor destacou que um dos principais desafios atuais do setor elétrico é o chamado curtailment — a necessidade de cortar ou interromper a produção de parques eólicos e solares por falta de demanda nos horários de maior geração ou por limitações na rede de transmissão.

“O Brasil hoje tá com excesso de energia em horários específicos. O corteamento ocorre porque 2 horas da tarde o sol tá bombando. Você vê aquele tanto de aerogeradores sendo cortados por falta de demanda, porque o sistema não pode ter excesso de energia jogada na rede. A solução passa necessariamente pelo crescimento da indústria e do consumo no país.”

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Falta de profissionais qualificados no mercado

Outro ponto de atenção levado pelo executivo é a escassez de mão de obra especializada no segmento. Pavanelli pontuou que as empresas encontram dificuldades para preencher vagas técnicas e comerciais, citando como exemplo a área de engenharia voltada para a manutenção de barragens e usinas hidrelétricas.

“A gente tem uma carência de mão de obra muito grande. Quando a gente abre uma vaga, é difícil arrumar bons profissionais com facilidade. Falta gente especializada em tratar hidrelétricas e barragens porque os olhos dos jovens engenheiros brilham mais para o solar e o eólico. Existe uma demanda enorme e quem quer entrar no setor precisa buscar esse conhecimento.”

Apesar dos gargalos regulatórios e operacionais, a Aliança Energia aposta na atração de novos grandes consumidores, como os centros de processamento de dados (data centers), para absorver a capacidade geradora do país. Segundo a diretoria da empresa, o avanço das operações depende de segurança jurídica contínua e do fortalecimento das políticas socioambientais junto às comunidades onde os projetos estão instalados.

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Gustavo Macedo

Jornalista graduado pela PUC Minas em atividade na Rede 98 desde 2023

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