Com a chegada do período chuvoso, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, alerta para a circulação de três sorotipos do vírus e reforça a importância da vacinação e do cuidado doméstico. Durante entrevista nesta quinta-feira (8/1), Baccheretti chamou disse que o Estado de Minas Gerais entrou em estágio de alerta máximo contra as arboviroses (Dengue, Zika e Chikungunya). O secretário detalhou ainda a estratégia multitarefa do governo para enfrentar o que promete ser um dos janeiros mais chuvosos da história recente, condição ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Estratégia tecnológica e preventiva
Desde setembro, o Estado utiliza drones para mapear focos de água parada em locais de difícil acesso, permitindo a aplicação de larvicidas com precisão. Além disso, uma das grandes apostas para este ano é a inauguração da “biofábrica” mineira.
“Mês que vem soltaremos os primeiros mosquitos da nossa biofábrica. É o mosquito com a bactéria (Wolbachia) que não permite a transmissão do vírus. O enfrentamento é multifatorial: prevenção com drones, orientação e vacina”, explicou Baccheretti.

Nova Lima no centro das atenções
A cidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi selecionada pelo Ministério da Saúde para uma vacinação em massa com o novo imunizante do Instituto Butantan. O teste, que começa na próxima semana, servirá de modelo para o país.
Diferente da vacina atual (Qdenga), a do Butantan é aplicada em dose única e demonstrou 100% de eficácia contra hospitalizações e casos graves. A expectativa é que, em 2027, cerca de 2 milhões de mineiros já tenham recebido essa proteção.
O Perigo dos três sorotipos
O secretário alertou que este ano há uma complexidade maior: a circulação simultânea dos sorotipos 1, 2 e 3 do vírus da Dengue. “Isso aumenta a chance de infestação e de casos de dengue grave”, pontuou.
Apesar do avanço científico, Baccheretti reforçou que a vacinação gera um “bloqueio” de transmissão, mas o esforço individual continua sendo a arma mais eficaz, já que 80% dos focos do mosquito estão dentro das residências. “No momento que a gente cuida da nossa casa, a gente está cuidando da rua e de todo o bairro. É um trabalho coletivo. Precisamos que cada um tire alguns minutinhos da sua semana para cuidar da sua casa.”

Carnaval e doenças respiratórias
Sobre o Carnaval de Belo Horizonte, o secretário tranquilizou a população. Segundo ele, por ser uma festa realizada em locais abertos, o risco de transmissão de doenças respiratórias é reduzido. Além disso, a sazonalidade de vírus como a Influenza costuma ocorrer apenas a partir de abril. Quanto à dengue na folia, o foco permanece no combate ao mosquito local para evitar que o vírus circule entre turistas e moradores.
Destaques da estratégia de saúde:
Vacina Butantan: Dose única, público de 10 a 59 anos, teste em Nova Lima.
Vacina Qdenga: Disponível para o público de 4 a 59 anos (conforme disponibilidade de doses).
Drones: Mapeamento de endereços e aplicação de larvicida em locais altos ou fechados.
Biofábrica: Introdução de mosquitos com a bactéria Wolbachia na natureza.
Rede de Atendimento: Incentivo para que municípios montem salas de hidratação antecipadamente.
Confira a entrevista completa do secretários de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti: