O interesse masculino pelo autocuidado deixou de ser uma tendência para se tornar um fenômeno estatístico irrefutável. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), revelados este mês em um congresso mundial do setor, confirmam que o número de intervenções estéticas entre homens dobrou nos últimos sete anos. A América Latina, ao lado do Oriente Médio, registra os maiores índices de crescimento global.
De acordo com o levantamento, entre 2018 e 2024, as cirurgias plásticas em homens saltaram 95%, enquanto procedimentos não invasivos (injetáveis, lasers e peelings) cresceram 116%. O ritmo é significativamente superior ao do público feminino, que cresceu 59% e 55%, respectivamente, no mesmo período.
Cansaço facial
Em Minas Gerais, esse movimento é sentido diretamente nos consultórios. O biomédico mineiro Thiago Martins, mestre em Medicina Estética e professor universitário, observa que a principal queixa que leva o homem ao especialista hoje é o chamado “cansaço facial”.
Segundo o especialista, o público masculino busca tratar olheiras profundas, perda de contorno da mandíbula, oleosidade excessiva e a queda capilar, visando uma aparência revigorada que transmita vitalidade, especialmente no ambiente corporativo.
Um dos pilares que sustenta a liderança da América Latina nesse setor é a ascensão da biomedicina estética, que se diferencia das cirurgias tradicionais pelo conceito de zero downtime, o termo zero refere-se a procedimentos estéticos que não exigem tempo de recuperação, permitindo que o paciente retome suas atividades profissionais e sociais imediatamente após sair do consultório, sem a necessidade de repouso, curativos complexos ou afastamento do trabalho.
Martins explica que o público masculino é extremamente focado em resultados rápidos que não demandem afastamento das atividades. “A possibilidade de realizar bioestimuladores de colágeno ou preenchimentos estratégicos e retornar imediatamente ao trabalho é um fator decisivo”, pontua.
Desafios técnicos e segurança
Apesar da alta demanda, o maior desafio técnico reside na preservação da identidade do paciente. O biomédico ressalta que a anatomia masculina exige ângulos mais retos e projeções específicas, como queixos largos e sobrancelhas menos arqueadas. O objetivo é realizar a harmonização sem “feminilizar” o rosto, garantindo que a intervenção seja percebida apenas como uma melhora no semblante, sem marcas de artificialidade.
O impacto dessa transformação vai além do espelho, refletindo diretamente na segurança em ambientes sociais e profissionais. Contudo, Thiago Martins faz um alerta: com o mercado aquecido, a segurança deve ser prioridade. Antes de qualquer protocolo, o paciente deve verificar a formação qualificada do profissional e a procedência dos produtos utilizados, garantindo que o investimento na autoestima seja acompanhado de responsabilidade técnica.
