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Adversário do Cruzeiro na final, Racing chegou a fechar as portas e voltou graças à torcida

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Reprodução/Racing

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Adversário do Cruzeiro na final da Copa Sul-Americana deste sábado (23/11), o Racing Club de Avellaneda passou por maus momentos na sua história e chegou a fechar suas portas. O time só voltou à ativa graças a ação da sua própria torcida, que se recusou a deixar o clube morrer. 

A equipe que encara a Raposa a partir das 17h no jogo único em Assunção, no Paraguai, teve sua falência decretada em 1999, após várias décadas de fracassos e dificuldades em campo, em uma história que envolve crises financeiras e até animais enterrados dentro do seu estádio. 

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Reconhecido como um dos cinco maiores clubes da Argentina – junto de Independiente, San Lorenzo, River Plate e Boca Juniors – o Racing foi o grande expoente do futebol argentino na época amadora, até os anos 1930, e na década de 1960 venceu o campeonato argentino, a recém-criada Copa Libertadores e do Mundial Interclubes.

O sucesso teria levado os torcedores do arquirrival – e vizinho de quarteirão – Independiente a invadir o estádio El Cilindro e enterrar sete sapos no gramado. Resultado: na década de 1970, o Racing não conquistou nenhum título. 

A seca fez com que, no fim dos anos 1980, o gramado fosse escavado. Aqui, o boato se mistura com a verdade e a história que correu em Avellaneda é de que seis ossadas de gatos (e não sapos) teriam sido encontradas. 

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Falência e torcida em campo

O exorcismo, porém, não foi suficiente. Após esse processo “macabro”, o Racing passou por uma grave crise financeira e teve falência declarada em 1999.

Contudo, a torcida salvou o clube. Dois dias depois da dissolução, haveria um jogo no El Cilindro contra o Talleres pelo Campeonato Argentino. A partida, obviamente, não poderia ocorrer, pois um dos times havia deixado de existir.

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Mesmo assim, 30 mil torcedores do Racing foram ao estádio, não para assistir à partida, mas para manifestar sua paixão pelo clube que havia deixado de existir. O 7 de março de 1999 ficou conhecido como o “Dia do Torcedor do Racing”.

Um torcedor expressou o momento: “A única coisa que peço é que o Racing siga existindo. Nada mais. É minha vida, a vida de minha filha, da minha esposa, da minha avó. É tudo para mim. E se o Racing não mais existir, para mim ele existirá por toda a vida, pois morrerei sendo Racing”.

Após grande comoção, a Câmara de Apelação revogou a determinação e permitiu que o Racing fosse administrado por uma empresa, a Blanquiceleste S.A., para saldar suas dívidas em um período de 10 anos. Assim, o clube tornou-se o primeiro clube argentino comandado por uma SAF. Em 2008, retornou ao modelo associativo, posicionando-se inclusive contra o projeto de inclusão do modelo de negócios das SAFs, chamado de SADs na Argentina.

Dois anos após esse processo, o Racing se tornou campeão argentino, após 35 anos.

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Desde então, o Racing conquistou mais dois torneios nacionais, em 2014 e 2019.

Agora, Cruzeiro e Racing se enfrentam pela terceira vez em uma final continental. Cada equipe já levou um troféu para casa (o do Racing, já citado, e o do Cruzeiro, conquistado em 1992, com uma histórica goleada no Mineirão por 4×0).

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