A forma como dois motoristas utilizaram recentemente a Área de Escape do Anel Rodoviário de Belo Horizonte levantou uma dúvida sobre o funcionamento do equipamento: em uma situação de perda dos freios, o condutor deve entrar na caixa de desaceleração ou seguir pela rampa de asfalto e voltar de ré?
Nos dois casos mais recentes registrados no trecho entre os bairros Buritis e Betânia, na Região Oeste da capital, os motoristas enfrentaram problemas nos freios e optaram por tentar parar os veículos na parte asfaltada da estrutura.
A situação chamou a atenção para a utilização do equipamento instalado em um trecho marcado historicamente por acidentes envolvendo veículos pesados. Desde agosto de 2022, 22 veículos pesados utilizaram a Área de Escape, evitando que seguissem pela descida sem condições adequadas de frenagem.
Uso incorreto pode trazer riscos
Ronderson Queiroz, professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que cada parte da Área de Escape possui uma função e que a escolha feita pelo motorista em uma emergência interfere na capacidade de desaceleração do veículo.
Uma preocupação relatada por motoristas ouvidos pela Rede 98 é a possibilidade de danos ao veículo ao utilizar o equipamento. No caso dos caminhões, há ainda o receio de que a carga possa se deslocar ou atingir a cabine durante a parada.
Segundo Queiroz, porém, a estrutura foi projetada considerando justamente a necessidade de desacelerar veículos pesados em situações de emergência.
Afinal, onde o motorista deve entrar?
De acordo com os especialistas ouvidos pela Rede 98, a orientação é direcionar o veículo para a caixa de desaceleração (caixa de areia), e não utilizar a rampa asfaltada como principal forma de parada.
Leandro Morais, assessor da Diretoria de Operações da BHTrans, explica que a caixa é preenchida com argila expandida, material desenvolvido para aumentar a resistência ao deslocamento das rodas e reduzir gradualmente a velocidade do veículo.
Queiroz ressalta que a argila expandida é mais leve que a brita, característica que contribui para uma desaceleração uniforme e reduz os impactos sobre o veículo.
A estrutura, portanto, foi projetada para receber caminhões, ônibus e outros veículos que apresentam falhas nos freios durante a descida.
Trecho já registrou acidente com cinco mortes
A descida do Betânia tem histórico de acidentes envolvendo veículos pesados. Um dos casos ocorreu em janeiro de 2011, quando uma carreta carregada com 27 toneladas de ferro perdeu os freios e atingiu 18 veículos. O acidente deixou cinco mortos e 11 feridos.
A Área de Escape foi implantada posteriormente como uma das medidas para reduzir o risco de novos acidentes no trecho. Desde agosto de 2022, 22 veículos pesados recorreram à estrutura após problemas durante a descida.
Além de saber utilizar corretamente o equipamento, Leandro Morais destaca que a prevenção começa antes de o motorista chegar ao Anel Rodoviário, principalmente com a manutenção adequada do veículo e do sistema de frenagem.
BH estuda mais duas áreas de escape
A Prefeitura de Belo Horizonte informou que está em fase de estudos a implantação de outras duas áreas de escape no sentido Vitória, na região do Betânia. Caso os projetos avancem, a região passará a contar com três estruturas de segurança para veículos que apresentem problemas durante a descida do Anel Rodoviário.
